A Cor dos Sonhos

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    Quando eu era pequena, eu dizia que a minha cor favorita era roxo, porque era a mistura de preto e rosa, uma mistura super estranha! Na fase dos ganchinhos, eu gostava mais de rosa; na fase mais gótica, gostava mais de preto e o roxo é a mistura dos dois: então, era o roxo, o meio termo.

   A minha mãe, quando eu era pequenina, deu-me uma saia violeta cheia de folhos,  linda; uma vez, eu tive um sonho com essa saia, na salinha da pré-escolar, no tapete dos pequeninos que parece água, ao pé do poste, que tem uma almofada para os pequeninos não baterem com a cabeça.

     Eu acho que só me lembro de certos sonhos ou de parte deles, quando eu começo ou continuo a sonhar, quando já estou meio consciente e o meu corpo já quer acordar, mas eu, como sou curiosa, faço aquela tentativa de apanhar o desfecho do sonho.

  Mas quem é que não quer ficar a dormir para acabar o sonho ou até um pesadelo, se gostares de filmes de terror?

  Eu tento ter um mecanismo de não ter sonhos interessantes nos dias de semana, porque eu fico sempre a meio e nunca consigo terminá-los.

  Ninguém quer ter um sonho cheio de ação, em que estás na Floresta a lutar contra vilões ou a galopar num cavalo e, de repente, teres de parar! Ou ter um sonho de uma história romântica, mas não ficas o tempo suficiente para descobrir se as personagens ficam juntas no final.

   Se calhar, todos os sonhos que eu tenho nos dias da semana têm o mesmo final, que é alguém a dizer:

     – Acordem, já são horas de ir para a escola !

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CAD em Isolamento – Uma Questão Por Trás da Beleza

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    A Beleza está presente em toda a parte: nos olhos dos amigos, na voz dos que nos amam, na nervura das folhas do jardim.

    A Beleza torna a nossa vida melhor, mais plena. Já pensaram o que seria a Vida sem Beleza?

    A vida sem Beleza não é concebível, como se nós, seres humanos, tivéssemos sido apetrechados, de raiz, para contemplar e saborear a Beleza.

    A Beleza existe nos seres e ações mais pequenos e, tantas vezes, nos mais insignificantes.

     Como nas antigas catedrais, o rendilhado da pedra no píncaro das torres não podia ser alcançado pela visão humana,  assim também, permanece oculta a Beleza em filigrana dos atos generosos de que ninguém se apercebeu.

     A Beleza é, para muitos, o que nos faz levantar da cama: como para Paul Klee, que dizia “A cor está viva em mim, sou pintor!” assim também a música está viva em compositores e o rosto do ser amado no coração do seu apaixonado.

Cad em Isolamento – Texto a 2 Mãos IM8B e OE

A Beleza, como Lixo no Chão

paisagem

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     A palavra “Beleza” no dicionário: “Carácter do ser ou coisa que desperta sentimentos  de êxtase, admiração ou prazer dos sentidos.”

     Na sociedade de hoje, a definição de “Beleza” é o contrário de singularidade,  de unicidade, havendo padrões para o seu caráter ímpar, que faz com que a totalidade do real seja similar, o que, de acordo com a sociedade, é o que a “Beleza” deve aparentar. 

   A Beleza está a ser jogada como lixo no chão,  que a sociedade não apanha e não recicla. A unicidade está no fundo do poço, por onde toda a gente passa, desvia e não se atira a ela, com medo de se enterrarem no buraco da escuridão.

    Tudo com regras, tudo desenraízado, tudo artificial: redes sociais que mostram a “Beleza” como se fosse o jogo de quem supera os outros…

   Retirem a vossa maquilhagem, por trás dela é que está a BELEZA. 

   IM10 Artes