De Castigo…

visão em ângulo picado uma menina corre numa clareira junto á floresta onde estão adultosFlickr.com   Atribuição:  Domaine Public  

     Aaaaah! – exclamou a Luz, quando acordou. Saiu da cama, vestiu-se e foi tomar o pequeno-almoço.

     A Mãe aproximou-se dela com uma cara “chateada” e começou a gritar com ela, a dizer que, depois de sair da rua, limpasse os sapatos no tapete da entrada!

      Luz não percebia o que a Mãe estava a tentar dizer, mas depois lembrou-se  e viu as pegadas de lama.

     Ficou muito aflita, pois não sabia como explicar aquilo.

     Mal ia dizer qualquer coisa, a Mãe interrompeu, dizendo que ela ia ficar de castigo.

     A Luz, muito triste e contrariada, foi, sentou-se numa cadeira e ficou a olhar para a parede, a pensar como a sua vida era injusta.

     Ficou imenso tempo no castigo e até tentou fugir. Mas foi logo apanhada.

     Percebeu que não podia sair do castigo, mas perguntava-se o que ia fazer.

     Então, ficou a pensar na vida, a olhar pela janela, até que percebeu que estava a refletir.

     Chamou a Mãe e perguntou se podia explicar-lhe o que era refletir.

     A Mãe, já com um sorriso no rosto, respondeu:

    – Conseguiste!

     Luz não percebeu o que a Mãe lhe havia dito, mas tentou entender. 

     – Conseguiste – continuou a Mãe – Passaste no meu teste. A razão por estares de castigo, não foi só por teres sujado o tapete, também foi para refletires sobre os teus erros e pensares o que tinhas de mudar. 

     – Então isso é que é refletir.  – Concluiu a Luz. 

     – Sim, e agora que já sabes o que é, podes sair do castigo.

     – A sério? – exclamou Luz.

     – Sim – sorriu a Mãe – mas só depois de limpares o tapete!

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Gratidão

jovem sentada num rochedo alto contemplando um lago rodeado de altas montanhas

       Photo by Nadi Whatisdelirium on Unsplash

     Era uma vez uma menina que estava sempre aborrecida com a vida, mas ninguém sabia porquê. A rapariga, chamada Isabel, achava que a vida só seria boa quando lhe ensinassem a viver.

     Ela sabia que para viver é preciso respirar, mas ela achava que devia existir algo mais. 

    A Isabel tinha um amigo que vivia ao extremo e que só se sentia vivo quando fazia uma coisa tão radical como saltar de pára quedas, surfar em ondas gigantes ou escalar os Himalaias. 

     A Isabel não gostava muito da maneira como ele vivia, porque achava que ele vivia a vida ao limite arriscando perdê-la.

     Isabel continuava a procurar o que lhe faltava, esquecendo.-se que a vida estava a passar sem ela perceber. 

     A Mãe da isabel dizia à sua filha para agradecer o que tinha e viver o presente, mas Isabel não percebia a mensagem que a mãe lhe tentava transmitir. 

     Isabel, acordou um dia de manhã, viu o nascer do sol e percebeu que o que ela estava à procura era de agradecer a vida que estava a deixar passar  aos seu lado; agradecer ao pôr do sol, ao nascer do sol, aos seus amigos e, principalmente, à sua Mãe, que lhe tentava dizer isso há muito tempo.

     Mas o que a Isabel precisava era de escutar a Mãe, a si mesma e de agradecer a vida que estava mesmo ao seu lado; ela só precisava de a agarrar!

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