A Cor dos Sonhos

Image by jiao tang from Pixabay 

    Quando eu era pequena, eu dizia que a minha cor favorita era roxo, porque era a mistura de preto e rosa, uma mistura super estranha! Na fase dos ganchinhos, eu gostava mais de rosa; na fase mais gótica, gostava mais de preto e o roxo é a mistura dos dois: então, era o roxo, o meio termo.

   A minha mãe, quando eu era pequenina, deu-me uma saia violeta cheia de folhos,  linda; uma vez, eu tive um sonho com essa saia, na salinha da pré-escolar, no tapete dos pequeninos que parece água, ao pé do poste, que tem uma almofada para os pequeninos não baterem com a cabeça.

     Eu acho que só me lembro de certos sonhos ou de parte deles, quando eu começo ou continuo a sonhar, quando já estou meio consciente e o meu corpo já quer acordar, mas eu, como sou curiosa, faço aquela tentativa de apanhar o desfecho do sonho.

  Mas quem é que não quer ficar a dormir para acabar o sonho ou até um pesadelo, se gostares de filmes de terror?

  Eu tento ter um mecanismo de não ter sonhos interessantes nos dias de semana, porque eu fico sempre a meio e nunca consigo terminá-los.

  Ninguém quer ter um sonho cheio de ação, em que estás na Floresta a lutar contra vilões ou a galopar num cavalo e, de repente, teres de parar! Ou ter um sonho de uma história romântica, mas não ficas o tempo suficiente para descobrir se as personagens ficam juntas no final.

   Se calhar, todos os sonhos que eu tenho nos dias da semana têm o mesmo final, que é alguém a dizer:

     – Acordem, já são horas de ir para a escola !

CA6A

Um Monstro Positivo

Image par Dmitry Abramov de Pixabay 

     Era uma vez um monstro chamado Duarte que era grande, com dois olhos castanhos e uma grande boca, com dentes muito afiados e a pele às cores.

    Este monstro é único porque tem dois poderes especiais: um deles é pôr toda a gente feliz e ter positividade. Vamos ouvi-lo:

   

    O Hobbie do Duarte é viajar pelo mundo e ir à praia para surfar. A língua que ele fala é o Monstrês, porque é uma língua que todos os monstros falam; a outra língua é Português, para falar com os seus amigos humanos.

    ” Eu gosto de ser um monstro, porque sou grande e gosto de ter poderes.

    Eu inventei um jogo que se chama “Monstrinhos”, com que brinco com os meus amigos humanos: eles fingiam ser monstros com poderes e usavam esses poderes para o bem.”

    “Eu gosto mais dos monstros bons porque eles não assustam os humanos e os monstros maus assustam os humanos sem razão.”

DB5A

No Perigo, Invencíveis

Image by 272447 from Pixabay 

    Vimos de muito longe, até  onde brotam as fontes de Água Viva.

   Compomos canções pelo caminho, como quem colhe flores bravas, para oferecer à chegada.

  Treinamo-nos para a liberdade futura, tratando-nos, desde já, como livres.

    Por isso o vento do nosso deserto arrasta consigo um perfume de maçãs e espalha adiante de nós trinados de rouxinol.

Com MA6A e SS6A  – Partilha de Inspirações – OE

As Palavras Cintilam

   Image by WikiImages from Pixabay

    Voltar é reconhecer o caminho e recordar a Aventura da partida.

   Voltar é reconhecer-se grato; e recordar – trazer de volta ao coração – é  retomar o fôlego da Aventura interminável. 

   A úlitma Aventura: a que já não se avista daqui, mas se adivinha no fugidio brilho das palavras.

   As palavras cintilam, como as estrelas.

  Como os olhos das crianças, as palavras – deslumbrantes – perseguem-nos, orientam-nos.

   Estrelas-Guia, as palavras rodopiam no céu noturno do coração e seduzem-nos a dobrar o mais longínquo. 

     As palavras abrem espaço que não havia antes, para respirarmos o desafio que sopra do infinito e se aninha no estreito abrigo vazio que é o amor de escrever.

Com IF9D – Partilha de Inspirações – OE 

O Espelho do Dia

Image by Truong Trinh from Pixabay

     As Tarefas desdobram-se no Dia invisível e ele ganha uma forma única; não só se reveste delas como de um manto colorido, mas também as imprime em si mesmo, como um perfume, transforma-as numa memória pura do que nós vivemos plenamente.

    O Dia chega, transparente, como uma tela em branco, com o Sol nascente ao fundo envolto no hino que entoa uma coroa de nuvens inspirando as iniciativas dos seres mortais. 

   Puxamos um qualquer fio dos possíveis e logo saltam as ideias vivas para o espelho onde o Dia se remira e os seres mortais se maravilham. 

Com DB5A e MP5A, Partilha de Inspirações – OE

Ir Devagar para Chegar Depressa – I

   

Author: Lothar J Seiwert

   “Como Chegar Depressa indo Devagar” de Lothar J Seiwert é uma maravilhosa reflexão sobre o modo como  a nossa vida pode ser articulada em torno de certas áreas essenciais, com o fim de a levar a atingir a harmonia dinâmica em que pode revelar todo o seu potencial de sentido.

    De acordo com a orientação do livro “Como chegar depressa, Indo Devagar”  não se deve considerar inútil escrever explicitamente as intenções que perseguimos a curto e a longo prazo, bem como as tentativas de ação que vamos forjando. Este esforço ritmado, que dilucida a caótica riqueza do quotidiano, vai abrindo o acesso a uma outra forma de escandir o tempo.

   Em relação ao trabalho, muitos dos nossos alunos se dedicam na sua execução, sentem-se responsáveis pelas tarefas atribuídas, desejam evoluir na qualidade do seu desempenho, de onde a importância que reconhecem a esta área da sua vida.

  Mas, na surpresa do Dia que nos invade, levanta e arrasta como uma imensa onda suave, é preciso que se abra uma clareira  de vida, protegida e gratuita, para depois da Escola.

   A todos os Alunos assiste o direito de aceder a uma determinada cultura  – não a uma coleção de saberes avulsos repetíveis ad nauseam –  mas sim àquela cultura que permite à pessoa humana exercer a nobreza e a urgência do seu poder interrogante face a si própria, aos outros, ao mundo e à totalidade do real.

   Encontramos, neste livro cativante, o convite e as sugestões concretas para uma escrita que reflete e sonda as pistas de uma orientação unificadora para a vida de cada um.

   Ao reconhecer-se o fio de ouro que perpassa através da aparência múltipla e desencontrada, é a própria pessoa, no seu íntimo, que  finalmente se distende e repousa.

   É aí que os Alunos descobrem o que trazem de único para dizer e com  as suas próprias, insubstituíveis palavras

Com Lothar J Seiwert  partilha de inspirações – OE

Com Teach Write em Outubro 2020, Dia 4

Francisco, o Amigo Incomum

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    Entramos na celebração do “Trânsito de Francisco”, precisamente na véspera da sua Festa na Igreja Universal.

   Chega-nos de há mais de 12 séculos o eco musical dos seus poemas, que não só escreveu mas agiu, que não só cantou mas transformou em amor prático, em vida desprovida de si e partilhada até ao infinito.

     De onde nos chega esta frescura de Presença envolvente, que inspira a prontidão para aceitar um sonho inesperado?

   De onde sopra este vento de Alegria que nos empurra para  trocar, quase de repente, o familiar abrigo, por uma caminhada incerta e encantada na nostalgia de um futuro outro?

    Francisco, o Amigo incomum, que, à distância de séculos, pertence a todos os tempos, continua a cativá-los na sua ternura, a comprometê-los  na sua pobreza, a fecundá-los no  inaudito anúncio como “Arauto” que é  “do Grande Rei”.

Com Teach Write em Outubro 20

Partilha de Inspirações – OE – Dia 3

 

“A Terra é Tua…” – “Um Respeito Amoroso e Humilde”

love the earthImage by Mystic Art Design from Pixabay 

     “… Esta comunhão sublime inspira-nos um respeito sagrado, amoroso e humilde…”

     Esta citação do texto “Laudato Si” encontra um eco vivo na sensibilidade das novas gerações; na verdade, elas estão “aparelhadas” para fazer desabrochar os infinitos possíveis capazes de elevar a vida de todos a “um máximo expoente de sentido”.

       A nossa aventura humana encontra um caminho amplo quando se deixa orientar pelo sentido desta  “comunhão sublime” entre tudo o que existe, na qual somos abrigados como em berço real e na qual cada um recebe a missão de levar tudo o que existe o mais longe que conseguir.

     Tudo e todos nos pertencem, desde a origem até ao fim dos tempos; assim como nós nos devemos a esta totalidade misteriosa e viva que conta connosco, nos impulsiona para diante, nos desafia secretamente e entrega a cada um o cuidado de todos.

       Tal é a nossa Terra livre, a nossa Casa aberta.

Com Teach Write – Partilha de Inspirações – OE

Progresso, não Perfeição

Progress not PerfectionImage by DarkmoonArt_de from Pixabay 

      Vive em nós um impulso espontâneo para “o mais perfeito”; ele  sempre espreita os projetos emergentes, ronda as esquinas das tomadas de decisão, chega mesmo a infiltrar-se na atmosfera dos sonhos  mais ingénuos.

   Contraria-mo-lo buscando simplesmente progredir, a cada pequeno passo das nossas determinações. A cintilação irresistível do perfeito deixa de exercer o seu poder hipnótico logo após os primeiros passos hesitantes em que se expressa a nossa opção pela aventura de progredir.  

        Uma expedição noturna, onde o mapa se desenha à medida em que se avança, a descoberta humilde do incerto e do inaudito: assim é o serpentear da escrita, tateando o movimento esquivo e grácil das palavras, aspirando a sua liberdade viva…

Com Teach Write Partilha de Inspirações – OE

CAD em Isolamento – Uma Questão Por Trás da Beleza

belezaImage par bianca-stock-photos de Pixabay

    A Beleza está presente em toda a parte: nos olhos dos amigos, na voz dos que nos amam, na nervura das folhas do jardim.

    A Beleza torna a nossa vida melhor, mais plena. Já pensaram o que seria a Vida sem Beleza?

    A vida sem Beleza não é concebível, como se nós, seres humanos, tivéssemos sido apetrechados, de raiz, para contemplar e saborear a Beleza.

    A Beleza existe nos seres e ações mais pequenos e, tantas vezes, nos mais insignificantes.

     Como nas antigas catedrais, o rendilhado da pedra no píncaro das torres não podia ser alcançado pela visão humana,  assim também, permanece oculta a Beleza em filigrana dos atos generosos de que ninguém se apercebeu.

     A Beleza é, para muitos, o que nos faz levantar da cama: como para Paul Klee, que dizia “A cor está viva em mim, sou pintor!” assim também a música está viva em compositores e o rosto do ser amado no coração do seu apaixonado.

Cad em Isolamento – Texto a 2 Mãos IM8B e OE

70 Anos CAD – A Vida Real Somos Nós – (2013)

Nota prévia da Oficina de Escrita: Esta breve e poética reflexão resultou da junção de dois exercícios de Escrita Criativa, propostos no livro de Margarida Fonseca Santos e  inventados de improviso, pelo Autor, em Setembro de 2013.

O nosso  inesquecível Aluno, filho de outra inesquecível Aluna, vive atualmente na Irlanda, com a sua Família,  tendo feito 18 anos ontem, 18 de Abril.

PARABÉNS DUARTE!

só o corajoso é rebeldeImage par Oberholster Venita de Pixabay 

    A Beleza é uma parte da pessoa ou de uma  coisa e que define se ela “É” mais ou não.

   A Beleza está em tudo de formas diferentes.

   Tem inúmeros sentidos, sendo impossível determinar algo profundo, de forma a, talvez, desvendarmos outro algo, que não é a vida real.

    Porque a Vida Real somos Nós, não o que os outros dizem.

   A Partilha é algo que põe os outros felizes, com a Ajuda, que nos vai marcar para a Vida, e nos dará Alegria, pela qual nós queremos estar lá – na Liberdade da Vida  –  que permite também a tristeza, quando nos sentimos sozinhos.

   Mas a Rebeldia é a Ajuda que nos protege, porque só o Corajoso é Rebelde.

70 Anos CAD – Duarte P –  6ºC – 2013

CAD em Isolamento – Meditação

   poente

   Image par blizniak de Pixabay

     Senti que hoje precisava mesmo do meu tempo… de estar só… somente eu e Deus!

    Sou uma mãe que sempre gostei de regras, horários e rotinas.E mesmo sendo mãe de 5 filhos, sempre consegui!

   E sinto falta disso. Desta minha normalidade. Do meu espaço… sinto falta de ser independente outra vez!

   É verdade que, o que estamos vivendo é algo novo e desgastante, chega a ser sufocante!!! É esse o sentimento… como se algo sufocasse as nossas vontades e o desejo de liberdade!

    Parece que tudo vai para mais além do possível, do imaginável!… Muitas mudanças, novos hábitos…

  Mas temos sempre que ter a confiança e a esperança do recomeçar. E saber que todo esse processo depende também de nós!

    Como se fosse o nosso despertar!!

  Se não mudarmos agora com tudo isso que nos está acontecendo… Vamos mudar quando!? Tudo tem um recomeço… e a nossa hora de mudar é agora!

    Nada mais poderá ser como antes….

   E eu pude sentir que o meu momento era hoje… agora! O Meu Despertar!!! Despertar em Cristo!! Despertar para a Vida!! Despertar o que há de melhor em mim!!

    E eu sei que estar na presença de Deus, é o que eu mais preciso!

   Permitam-se  ouvir a voz de Deus…

    E saberão que Jesus vive em cada um de nós!

CAD em Isolamento – Dª Joana Rodrigues – Mãe de 5 Alunos.      

Elogio do Natal

boneco de neveImagem de Larisa Koshkina por Pixabay

Este Natal há surpresas diferentes no ar!

Amor a cantar transborda dos corações…

O  Natal é especial, com a Família toda a dançar.

Com amor celebramos para nos lembrarmos de Jesus Cristo.

Dia 25 não é para chorar, sorrir é o que não vamos parar de fazer.

Lembramo-nos dos outros mais distantes, eles tornam-se próximos de nós.

O Natal é para dar e receber muitos miminhos de todas as pessoas do mundo.

Está-se bem a falar de amor: é a mais fabulosa parte do ano, receber e dar amor a toda a gente do mundo.

Texto a 4 mãos – FM5C, LF5C, MF5B,OE

O Natal a Bater à Porta…

      noite de neve

Image by Angeles Balaguer from Pixabay      

     O Natal também é uma forma diferente de olhar para os outros. 

     No Natal eu vou querer juntar a minha Família toda em minha casa! Quero que vão a minha Mãe, o meu Pai, o meu irmão, as minhas avós e o namorado da minha avó.

     As pessoas que estão sós sentem-se acompanhadas: ouvem música no silêncio.

     As pessoas têm de estar todas juntas e todas as pessoas têm que receber um presente. 

    Os presentes também são um sorriso que avisa: os amigos estão perto daqui.

   Em Família nos entretemos numa conversa doce e falamos de sonhos difíceis para desabafar ou de sonhos bons para concretizar. 

      O Natal está aí a bater à porta… Podes ir lá e atender? 

Texto a duas mãos – SS6D e OE

A Largada do 7º Ano

corrida de motos de águaImage parHerbert Aust de Pixabay 

     O que dá sentido à Viagem deste novo Ciclo são os Amigos. 

   Brincar, ganhar ou perder, magoar-me ou não me magoar… 

   O que me faz sentir bem são jogos de computador: conseguir umas “skin” no “Counter-Strike” e também GTA 5 online, com um cartão de 50 euros. 

    Jogar online é como voar: uma espécie de sonho acordado que parece real, uma forma descontraída de tornar mais rápidos os nossos reflexos. 

     O que me faz avançar é estudar, prestar atenção às miúdas… Para a Viagem do 7º, estou nervoso, porque tenho a certeza que é mais difícil.

     Quanto ao Francês, estou mais preocupado, porque não estou habituado e não consigo perceber muitas vezes as palavras e as frases.

    Mas também avançamos a fazer Projetos: em TIC – que, como é tecnologia, é a minha disciplina favorita – estamos a fazer um “Power Point” no Classroom. Vou fazer Gifs de Gatos a saltar e a falhar o salto.

    Na Viagem do 7º ano,  vêm connosco o Pepe, os Amigos, a Família, algum Ovni que nos observa escondido e… o Pewdipie, o Sven, o Jorgen e Ikea Tower!

    As adversidades estão a salpicar o 7º ano todo, a começar por não conseguirmos parar de falar na Oficina, porque as ideias saltam pelo ar como panquecas loucas.

    Como por exemplo, a ideia de irmos em viagem pela Austrália, viajarmos pela Europa, por vezes jogarmos Club Penguin e levarmos os nossos melhores Amigos.

    O calor do susto faz-te transpirar instantaneamente: é quando cai uma caneta de ponta fina, apanhas um susto da “Setôra” e quase morres do coração – Brincadeira!

      Entre Amigos, podemos ser genuínos, podemos falhar, vencer ou improvisar no meio dos truques da Vida.

Texto a 3 Mãos – LJ7A, VE7C e OE

Em Viagem

 veleiros no mar

Pixabay License   Image parDenis Azarenko de Pixabay

   Em Viagem…

  Somos nós próprios – o sonho antigo, a intuição profunda, os traços de um rosto interior – tecidos com o mesmo fio que a naveta traz e leva na urdidura das Viagens?

   Que há em nós tão familiar do que é longínquo que lhe pressente o acenar com insistência, sabendo que nos atrai?

  Quem não percorreu as arestas do distante com os dedos adivinhos de um desejo ainda sem nome?

   Quem não palmilhou, com o olhar caminhante, a vastidão do céu imóvel, quando o dia cumprido se resume numa linha ardente?

   Podemos nomear o rumo que traçamos? Como se torna legível a rota que escolhemos?

   Ao nosso lado, o marulhar da vida contra os flancos dos pequenos veleiros dos Amigos…

    Rápidos, sulcamos o azul puro: vamos juntos.

    A toda a nossa volta, o Infinito.

Visita a 6A e 6C – Partilha de Inspirações – OE

Escrita Livre

escrita livre

    Image parMediamodifier de Pixabay 

    This Article is the Authorized Translation of the original Free Writing for All   by the author, Teacher, Behaviour and Education Specialist Adele Bates. Este Artigo é a Tradução Autorizada do Original Free Writing for All  da autora, Professora e Educadora Especialista em Comportamento Adele Bates.

       Em mais de uma ocasião tive de justificar o facto de trazer a Escrita Livre para uma aula de Inglês.[1] Tenho tanta convicção, experiência e provas dos inumeráveis benefícios da Escrita Livre em sala de aula, que alterei regras, arquitetei planos de aula e menti abertamente a responsáveis para conseguir manter esta prática na minha sala de aula.

     Em tão alta conta a tenho.

    O que é a Escrita Livre?

Corrente de consciência. Escrita em fluxo livre. Tempo de pausa. Tempo criativo. Rabiscos. Alunos a escrever muitas palavras. Silêncio. Concentração. Aborrecimento. Aprendizagem inconsciente. Tempo de digestão. Reflexão. Tempo não estruturado. Pensamento no limite. Vazios. Escrever sem restrições de gramática, de precisão, de audiência. Espaço. Sim, espaço.

  • A abordagem mais bem-sucedida que encontrei até agora (existem outras) é marcar 10 minutos no início de uma aula uma vez por semana. Num mundo ideal, fá-lo-ia todos os dias, mas isso fica para a minha Escola Futura.
  • Apresente o conceito primeiro, dê exemplos. Alguns alunos vão achá-lo desafiador, precisam de saber que só lhes está a exigir que NÃO PAREM DE ESCREVER.
  • Agora leio sempre as primeiras duas páginas de “Writing without Teachers” de Peter Elbow, que explica o conceito e dá um exemplo. Geralmente, isto é suficiente.
  • Deixe bem claro que isto não é “trabalho”, não é para nota – contudo deve ser lido de tempos a tempos. Sim, é o caderno de Escrita Livre deles, mas mesmo assim é um caderno de escola.
  • Como tal, a minha regra sobre o uso de calão é sempre usar um *. Geralmente, os alunos acham espantoso ser-lhes permitido escrever palavras em calão – B*las, R*s – num caderno de escola; levam os primeiros 5 minutos sem fazer outra coisa, aborrecem-se e nunca mais fazem.
  • Coloque o cronómetro num sítio amplo e facilmente visível para todos.
  • Disponha de cadernos especificamente para Escrita Livre, tendo escrito na capa: NÃO É PARA NOTA (os alunos gostam imenso disso e esses cadernos “indisciplinados” podem ser escondidos de observações indiscretas.)
  • Insista num completo silêncio durante o tempo marcado.
  • Saia da secretária, sente-se no lugar vazio de um aluno, no parapeito da janela, no chão.
  • FAÇA VOCÊ MESMO O EXERCÍCIO – A Escrita Livre NÃO tem a ver com ensino consciente de professor para aluno, tem a ver com construir um espaço seguro em que os alunos possam aprender. Você não tem nada a ver com o processo deles no momento em que ele ocorre – tenha o seu próprio, seja o modelo da prática – este é o ensino mais poderoso para os alunos.
  • Se entrarem visitantes, ignore-os. Ficarão profundamente impressionados por toda a sua turma de 9º ano estar sentada em silêncio absoluto, a escrever, nos primeiros 2 minutos da aula (uma exigência para algumas escolas).
  • Inclua quaisquer outros membros da comunidade educativa na sala – qualquer pessoa presente na sua sala durante o tempo de Escrita Livre deve estar a fazer Escrita Livre.
  • No final do exercício, dê um minuto para cada um partilhar o quiser com alguém sentado ao lado. Não é obrigatório partilhar, mas, muitas vezes, os alunos descobrem muita coisa que vão querer expressar. Ocasionalmente, abro espaço para partilhas de trabalho mais longas, para aqueles que assim o desejarem.

A organização pode demorar um bocadinho a estabilizar – tanto para os alunos como para os professores. Geralmente, levo cerca de 3 sessões até os alunos entrarem na onda e pararem de colocar questões. Vamos falar de benefícios:

Benefícios que as escolas/ os mentores/os observadores/Terapeutas da Fala [2] gostam de ouvir:

  • A Escrita Livre intensifica a energia dos alunos para escrever. Alguns exames nacionais de 11º ano [3] duram 2h e 45m – de escrita sólida. Mantenha-os a escrever durante 10 minutos, de forma consistente, ao longo do 7º ano, uma vez por semana, e isso poderá tornar-se facilmente numa disciplina pessoal interiorizada.
  • O exercício repetido regularmente promove rotinas, autodisciplina e concentração da atenção logo no início de cada aula. 
  • Torna-se uma ferramenta positiva e preventiva para a boa gestão do comportamento.
  • Alunos com Habilidades pouco desenvolvidas, que podem ter dificuldades para escrever extensivamente (sendo a escrita extensiva um ponto comum transversal a todas as disciplinas, atualmente), escrevem páginas neste exercício, com regularidade. Isto constrói a confiança na sua habilidade para serem capazes de escrever, a partir da qual pode progredir para uma escrita mais formal.
  • Alunos com Habilidades mais desenvolvidas sentem-se muitas vezes desafiados por esta tarefa, uma vez que se sentem perdidos, sem direção ou alvo definidos; têm de construir o seu próprio alvo – o que constitui uma competência final mais elevada na Taxonomia de Bloom.
  • O exercício é adequado para todas as habilidades, Necessidades Educativas Especiais,  [4], Inglês Língua Não Materna [5] – destaca-se por si mesmo. (Ver abaixo em “E se…?”)
  • Com uma turma nova, torna-se um meio simples para criar relações rapidamente com os alunos – quando ler o primeiro maço de textos, vai descobrir muito mais sobre cada aluno do que teria tido tempo para descobrir nessa primeira lição de 50 minutos.
  • Com o tempo, os alunos ganham confiança nas suas próprias capacidades para, simplesmente, escrever. Tive vários alunos que, no final das sessões, declararam que tinham escrito uma história pela primeira vez, desde a Primária, ou que se tinham surpreendido ao escrever um poema – quando, afinal, nem gostavam de poesia.
  • Com o tempo, os alunos muitas vezes revelam informação sensível – o que se torna uma ferramenta de apoio para você conceber medidas apropriadas de ajuda.
  • Constitui um método altamente considerado entre autores publicados, através dos tempos.

E se…?

  • Os alunos falarem/se portarem mal

Se são apenas um ou dois, a atitude mais eficaz que encontrei foi simplesmente sentar-me ao lado deles para fazer a minha própria Escrita Livre. Não digo uma palavra, nem sequer olho para eles, apenas dou o exemplo sobre o que é preciso fazer. A estranheza desta atitude geralmente fá-los concentrar rapidamente. Se são vários alunos, então, muitas vezes, trata-se de um problema com os lugares atribuídos no plano da sala que devem ser repensados.

  • Se eu tiver alunos com Necessidades Educativas Especiais (SEND [4]) que não conseguem escrever?

Descubra o equivalente que seja adequado às suas necessidades – em geral, você já sabe, ou, se não, o seu departamento de Coordenação da Educação Especial [6] há de saber. Tive alunos a escrever em chromebooks e a usar o teclado. Alguns alunos gostam de saltar uma linha de vez em quando (como podiam e eram encorajados a fazer na Primária), outros preferem papel liso, sem linhas – adapte-se ao que eles preferem.

  • Se eu tiver alunos de Inglês Língua Não Materna [5]?
    Encorajo vivamente que seja permitido aos alunos escreverem em qualquer língua em que se sintam confortáveis (o que, tal como o escrever em calão significa, durante os primeiros 5 minutos, os seus falantes de Inglês vão tentar regurgitar as aulas de Alemão que tiveram em dois anos – ótimo! Revisão de Alemão automotivada! – Não se esqueça de dizer ao Departamento de Línguas Estrangeiras [7]).

A melhor prática pedagógica para os alunos de Língua Inglesa Não-Materna é utilizarem a nova língua tanto quanto possível, claro. Contudo, na sua Escrita Livre, isto dá-lhes uma oportunidade para refletir e trabalhar, através da aprendizagem, numa língua em que se sentem peritos. O que também é importante. Tive um aluno de Língua Inglesa Não-Materna, com elevadas qualificações, que teve de mudar para Inglaterra inesperadamente no 10º ano. Pude constatar, que, ao longo de semanas e meses, ele estava a tornar-se cada vez mais desencorajado, por sentir que se tinha tornado um pior aluno na escola – apenas devido à barreira da língua, mais do que devido às suas Habilidades. Uma vez por semana, era libertador, para ele, poder comunicar livremente. Na realidade, os alunos de Língua Inglesa Não-Materna com quem trabalhei, geralmente, fazem uma mistura de línguas em Escrita Livre, provavelmente refletindo de perto o modo como estão a aprender nas nossas escolas.

  • Os alunos recusam-se a participar.
    Em primeiro lugar, descubra porquê. Uma vez tive um aluno que vivia em circunstâncias difíceis e tinha várias necessidades relativas a saúde mental, que simplesmente não era capaz de elaborar ou não tinha a confiança necessária para escrever. Durante algumas semanas, eu sentei-me a seu lado e escrevi alternadamente, como num jogo do género de associação de palavras. Por exemplo, “Morangos, Futebol, Frio, Chuva, Sapatos…” Algumas semanas depois, só precisava de fazer isto no início, depois ele já conseguia ser capaz de desenvolver, durante a sessão inteira, por si mesmo.

Para outros, sublinhe que a tarefa consiste apenas em escrever; se não o conseguem fazer, então não estão a cumprir com um trabalho previsto, e os procedimentos normais da Escola sobre o comportamento devem ser aplicados.

  • Não ensino Inglês.
    A Escrita Livre é livre para todos. Lute por ela.

Para ir mais longe…

Depois de um longo período de prática de Escrita Livre é possível utilizar a ferramenta para apresentar um tópico. Um exemplo com muito êxito é o de quando perguntei a uma turma de oitavo ano o que sabiam sobre a I Guerra Mundial, para lhes apresentar a nova unidade de poesia. Tivemos um diálogo de turma com algumas respostas muito básicas: cavalos, a primeira vez que se usou o gás como arma, 1914- 1917.

Então, convidei esta turma a fazer 10 minutos de Escrita Livre sobre o tópico. Encorajei-os a manter o tópico em mente, mas, ao mesmo tempo, a continuar a escrever apenas o que lhes surgisse. Por exemplo: “I Guerra Mundial, o que é que eu sei ? Não demos isto no 6º ano, com a Professora Patel? Ah sim, fomos àquele bunker, não foi? Ou isso foi na II Guerra Mundial? Qual é a diferença? Espera aí, não estávamos com os Alemães nessa altura e depois contra eles na II Guerra? A Emma está a escrever imenso – como é que ela sabe tanto? Talvez ela esteja só a escrever sobre o seu cabelo, afinal. Afinal, sim. Que mais? Oh, cantamos aquelas canções – Embrulha os teus problemas no teu velho saco e sorri, sorri, sorri… Isso foi no quarto ano. Não tinha ideia sobre o que era, nessa altura, mas creio que é o género de canção que pode animar as tropas?”

Seguindo a mesma inspiração da teoria por trás de “Pensar, formar um Par, Partilhar”, o facto de dar aos alunos tempo para refletir sobre o tópico trouxe muito mais conhecimento reconhecido para a discussão. Os estudantes tornavam-se mais empenhados à medida que se iam dando conta de quanto já sabiam e de algumas das memórias de fundo sobre o que tinham aprendido antes (especialmente as canções).

Depois, repeti o exercício no final da unidade. Eles puderam comparar as duas Escritas Livres e facilmente constataram o seu próprio progresso.

Os meus Destaques sobre Escrita Livre:

  • Ao fim de 10 minutos, é habitual ter mais alunos do que tempo disponível a sentir-se entusiasmados para partilhar o seu trabalho.
  • Na sessão 3, li, num texto de Escrita Livre de uma aluna muito  tímida, que ela ia ter uma competição de dança no fim de semana. Lembrei-me e perguntei-lhe na Segunda-feira. Ela ficou muito impressionada por eu ter lido, ter-me preocupado e ter-lhe perguntado – depois disso ela começou a participar nas conversas na aula.
  • Um aluno surpreendeu-se ao escrever um poema acerca das suas opiniões sobre a educação – quando ele achava que detestava poesia.
  • Um aluno de oitavo ano, com habilidades em grau elevado , que até então tinha considerado fáceis todas as tarefas que eu tinha dado, encontrou, na Escrita Livre, pela primeira vez, um desafio e teve de se esforçar para conseguir enfrentá-lo.
  • Um aluno confidenciou-me as suas reflexões sobre género e as possibilidades de transição. Na Escola, em Escrita Livre, os alunos sabem que existe a hipótese de o seu texto ser lido, pelo que pude ter uma conversa com ele, começando com: “Notei, na tua Escrita Livre… Gostavas de conversar sobre isto?” Isto fez com que eu tivesse sido o primeiro adulto com quem se abriu, e fui capaz de o apoiar na escola e junto dos pais, durante a sua transição.
  • Muitos, muitos alunos vêm ter comigo no ano seguinte – quando já não têm as minhas aulas – pedindo para terem Escrita Livre com o professor atual.
  • Alguns Alunos pedem para levar os seus cadernos de Escrita Livre para casa, a fim de escreverem mais.

13 de Agosto 2018

Adele Bates

[1] – Inglês é a Língua Materna da Autora. Para leitores Portugueses aplica-se o Português.

[2] – SLT – Acrónimo de ”Speech Language Therapeut”; corresponde a Terapia da Fala.

[3] GCSE  – Acrónimo de “General Certificate of Secondary Education”. Corresponde aos Exames Nacionais de 11º ano.

 [4] SEND – Acrónimo de “Special Educational Needs and Disability”. Corresponde a necessidades educativas especiais.

[5] EAL – Acrónimo de “English as an Additional Language”. Corresponde a Inglês Língua Não Materna.

[6] SENCO – Acrónimo de “ Special Educational Needs Coordinator”. Corresponde a Coordenador de Educação Especial.

[7] MFL Department – Acrónimo de “Modern Foreign Language Department”. Corresponde a Departamento de Línguas Estrangeiras.

Faíscas Aleatórias

   faísca aleatória

     Image parFree-Photos de Pixabay 

     No seu livro “Build your Business on Ideas” a autora, Jodie Newman, ensina a interromper bruscamente a sequência linear do pensamento lógico, quando este se esforça laboriosamente para enfrentar um desafio ou resolver uma questão difícil.

     Esta interrupção intencional visa infletir subitamente a linha do pensamento sequencial e gerar um fluxo de ideias inesperadas, capazes de encontrar uma solução imprevisível.

    A este elemento disruptivo, o autor chama a”Faísca Aleatória”

      O instrumento que provoca a ruptura pode ser uma palavra ou  frase, um som, uma imagem, um objeto, desde que não tenha nenhuma relação aparente com o assunto em debate.

     Dá-se um salto na forma de pensar sobre um assunto se for possível provocar uma associação imprevisível com  ele. 

    Esta adoção de um novo ângulo de visão quebra o molde antigo que aprisionava a mente; descentra cada um de nós dos nossos pontos de vista pessoais; as “faíscas” tornam-se ferramentas de um pensamento criativo.

    As três etapas deste processo são:

      1. Deflagração da “faísca” ou “ruptura inaugural”;

    2. A descoberta de uma relação inesperada com o assunto em questão;

    3. A configuração inédita que assume aquilo que se pretendia solucionar, aperfeiçoar ou recriar.

Fonte:Build Your Business On Ideas” 

Exemplo de aplicação de “Faíscas Aleatórias” no seu site, com o Gerador de Faíscas: http://thebusinessallotment.co.uk/spark

OE

O Amigo Imaginário

janela de fantasia e personagem minúscula empunhando uma espadaPixaBay License Image parStefan Keller dPixabay

        – Filho, Filho, estás a brincar com quem? – perguntou o Pai assustado.

        Pai, eu estou a brincar com o meu Amigo Imaginário – respondeu-lhe o Filho.

     – Como é que ele é?  – Perguntou o Pai muito curioso.

     Ele explicou:

     – Pai, ele é verde, com o cabelo vermelho, com uma coroa bem dourada, cheia de pedras preciosas.

     O seu rosto tem um olho azul e o outro dourado alaranjado. Tem o nariz pequeno e uma boca sorridente.

     Dentro da sua casa tudo é estranho, as portas estão sempre a mudar de sítio e as escadas também.  Cada porta é diferente.

     No terraço, há uma piscina de águas muito azuis e uma cascata. Também tem uma macieira dourada que, quando há maçãs, consegues obter um poder ao acaso.

      Por exemplo: Voar, dar saltos gigantes, conseguir ter a força de mil milhões de pessoas, conseguir correr super rapidamente, falar com os animais e – o meu favorito – conseguir parar o tempo!

      Ao ouvi-lo, o Pai exclamou:

      – Filho, também posso brincar?

TF5B 

O Mistério da Música

     guitarra composição de fantasia

     PixaBay PixaBay License

     A música não se pode dispensar: assim como o D. e o M. tocam piano, viola e guitarra, eu tenho de escutá-los, pois não toco. As melodias harmonizam as nossas emoções e suscitam também sentimentos novos.

      Para mim, a música é a inspiração porque quando for grande quero ser cantor.

     Ser cantor é deixar cantar a alma mais profunda, aquela parte de nós que consegue comunicar com todos os outros.

     A música é outra forma de linguagem, é uma espécie de escrita.

  Pois é. As músicas nas pautas são em escrita.

    Não só. Também há Matemática na música: para compor é preciso supor números que exprimem as relações entre os sons.

Eu gosto de tocar enquanto canto, pois é muito divertido, as músicas são aventuras, transmitem alegria.

     Ser cantor também é muito difícil, mas é super giro: podemos não saber cantar sozinhos, apenas em grupo: a nossa voz vai à boleia na dos outros – é como voar!

     As músicas fazem com que nós voemos, não é cantar que realiza os desejos, são as músicas que escrevemos.

Texto a 3 Mãos

MI5C, DJ5D e OE