Setembro – “Que Terra Quero Ser?”

somos terra

Photo by form PxHere

     Nesta metáfora, nós também somos a “Terra” que precisa de ser preparada para acolher no seu seio as sementes da Vida.

  Inesperadas, múltiplas sementes, feitas de relações e de acontecimentos que escapam à nossa previsão mas, também frutuosas, nutritivas, que podem ser antecipadas por um cuidado fiel e confiante.

  Como somos então “Terra”, e até que ponto escolhemos a que queremos ser?

 Pertencemos de raiz à nossa família mais próxima; depois ao círculo eleito dos amigos mais íntimos; enfim à ampla comunidade da escola, no seu dinamismo de percursos jovens em perpétuo cruzamento; e ainda, por trás de tudo, cercando-nos e sustentando esta nossa rede de relações significativas, o vasto mundo das sociedades humanas, prolixo, tumultuoso, inabarcável, onde as diferentes gerações entretecem o hoje da História.

   Em que sentido somos esta “Terra”? O que significa dizer que escolhemos os seus ingredientes? Como é que pelo nosso consentir a preparamos?

   Se somos esta”Terra”, tudo o que ela gera ou o que nela se desencadeia é-nos próximo, familiar e íntimo.

  Pelos valores herdados de infância e depois criticamente assumidos na adolescência, escolhemos como esta “Terra” se constitui, de que gestação se vai tornando capaz.

  É por acolhimento de graças inspiradas e por esforço de decisões  corajosas que nos expressamos depois em atitudes, em compromissos, em colaborações vivas.

  Assim conformamos a “Terra” que vamos sendo com a disposição de que precisam as “sementes” de Vida que sonhamos, para nela germinar em segurança.

     Setembro, Cascais, 2020: como nos preparamos então?

Partilha de Inspirações –  Agenda CAD 2020 – 21 e OE

Que “Casa” a Terra é?

naturezaImage par kangbch de Pixabay 

    A Terra sustenta-nos como mãe, ninho, lar, lugar de encontro e, ao mesmo tempo, por ela se difunde também o ininterrupto e múltiplo convívio entre os seres que ela permite existir.

   É através deste nosso enraízamento concreto no seu espaço, desta pertença da nossa espessura sensível ao fluxo do seu tempo, que, afinal, podemos comunicar entre nós.

   A Natureza não é, assim, “nossa casa”, num sentido “estático”, mas  antes num sentido dinâmico, de verdadeiro “lar”: é movimento e vida em pérpetuo crescimento, sempre rumo a mais vida; é um dinamismo orientado e protetor, que segue a direção de um misterioso excesso.

   Vivemos intensamente a nossa pertença filial à Terra também em momentos de contemplação tranquila; o magnetismo do por do sol que nos prende o olhar, ao fim de um dia enriquecido de encontros humanos e de trabalho intenso, parece oferecer à humanidade que se abriga na beleza inesperada, uma preciosa consolação.

Com Agenda CAD 2020 – Partilha de Inspirações – OE

“O M de MARIA” – A Paz do Serão Mariano

o M de MariaFacebook – Le Grand Pélérinage en Calèche

     A Paz deste serão Mariano é o indicador do silêncio que sobe nas nervuras da atenção enquanto ecoa ao longe a litania dos peregrinos que  invoca os amigos do Céu.

    A seiva da gratidão corre ao encontro desta disponibilidade que brota de um “dia-Outro”: o dia-que-há-de-vir, o Dia em cuja vinda se aprendeu a confiar pelo excesso do dom; o vir a desmaiar nas areias da noite humana a vaga impetuosa da manhã divina.

   Virá o Dia imenso e amplo, onde caberão todos os que se prestam a viver, os que se emprestam à vida sem retorno, os prontos a entregar-se.

  A Paz do serão Mariano vive nas franjas desse infinito; o marulhar da Vida, perpétuo efervescer da última questão, que suspira e murmura antes de se aquietar na Esperança.

15 de Agosto 2020 – Assunção da Virgem Maria

Com a Peregrinação “O M de Maria” –  Partilha de Inspirações – OE

A Paz Reconfirmada do Serão

“Migrantes explorados, pobres, refugiados e deslocados: todos têm direito à festa nupcial”

Bispo de Santarém – Fátima, 13 de Agosto 2020

migrantes peregrinação

   Image par LhcCoutinho de Pixabay 

    A Paz reconfirmada do Serão: para os que caminharam longe, os que não sabem como avançar amanhã.

 Mas há para eles uma pausa perfumada, um momento de desenrolar o manto húmido e deixar partir os pensamentos ou trocar pedacinhos de esperança, como a ração da noite, entre os companheiros de viagem.

  Que sabe o mundo organizado na segurança sobre este esforço comum dos que foram obrigados a partir no rodopio do conflito?

    Os seus milhares de passos peregrinos rumando à Paz… Ela expressa-se também neste serão: sobre o manto, no chão húmido, esta pausa entre irmãos.

Com a Peregrinação dos Migrantes e Refugiados – OE

 Agosto de 2020 – Partilha de Inspirações 

Razões de Escrever – 1 – “Encontrar o que Penso”

Bobin: écrireImage par Gerd Altmann de Pixabay 

      Como é que aquilo que nós vamos aprendendo e compreendendo tem as implicações desejadas na nossa vida quotidiana? Por exemplo, ao estudar – mas não só –  pretende-se ligar esses dois planos: compreensão e vida.

        A Escrita pode ser uma mediação: compromete-nos no corpo da nossa história, mostra-a no seu entrelaçamento com todas as histórias, na sua abertura viva para sempre mais.

   Por exemplo, no estudo de um assunto, ao compreender-se  a importância de escrever e ao aprender sobre  formas de escrever, o resultado pode ser o surgir de um hábito de estudar escrevendo. 

     O resultado também pode ser conseguir delinear, ainda que apenas mentalmente, como se pode ajudar outros a escrever.

    Conduzir a própria mente – “uma espécie de escrita invisível”  -enquanto se realiza um trabalho manual ou simples, de pura presença a outro, aumenta o rendimento do trabalho mental e recolhe a energia que se dissiparia na passividade da mente entregue a si mesma.

     Recordar o que se estudou, repensá-lo de novo, sem recurso à fonte, com o projeto de o partilhar, com os outros ou num teste, mais adiante, consolida as evocações da mente, dá-lhes um sentido.

     Escrever, ao estudar, para conquistar o que se compreendeu, mas também para compreender-se.

    Estudar, escrevendo, para seguir e desenvolver o próprio processo do pensamento, tornando-o mais fluído, mais inteligível, mais determinado.

     Que outras mais razões para escrever?

Com os Trabalhos da Oficina – Partilha de Inspirações – OE

A Dança do Céu e da Terra

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   Image par kordula vahle de Pixabay 

     O mar espraiava-se com suavidade e o contorno das franjas de espuma parecia imitar um céu coalhado de nuvens esfiapadas.

   Constança e Beatriz vinham saborear  aqueles instantes de rara beleza,  em que não distinguiam se era o enigma do céu espelhando o mar ou o reflexo ondulante do imenso azul que as cativava.

   Como podiam as rendas de espuma imitar assim a filigrana das nuvens?

  Um algodão líquido, penugento, parecia deslizar sobre a areia, formando pequenos sulcos de impecável brancura.

   Ao mesmo tempo, lá no alto, um vento manso dedilhava as fileiras de nuvens formando arcos de pura lã a desfiar-se no azul.

 Deliciavam-se assim, na frescura da manhã recém-nascida, adivinhando a  divina fantasia que convida a dançar a Terra com o Céu.

Com BF e CR 7A – Partilha de Inspirações – OE

Quem Semeia ? Que Sementes? Em Que Terra?

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Imagem de congerdesign por Pixabay 

“Quem semeia em nossas Vidas? Que Sementes vamos recebendo? Que Terra vamos preparando?” Agenda CAD 2020-21

  • Uma Sugestão para melhorar o mundo que esteja ao teu alcance.
  • Uma pequena mudança que possas introduzir no nosso colégio.
  • Uma discreta surpresa que possas trazer esta semana à tua família.
  • Um projeto simples mas promissor para fortalecer uma relação que já te é preciosa.
  • Uma frase simples, escrita para ti próprio, que não fará parte deste texto a publicar, que só tu receberás.
  • Pensas que o que fizeres agora -as sementes que lanças numa terra que preparaste – num futuro mais ou menos próximo, dará fruto?

Esta casa comum que habitamos: a nossa Terra, a nossa História, as nossas Relações preciosas, tudo isto depende de nós, de cada um, de mim, de ti também. 

Como vais desenhando o cuidado, a ternura, a coragem que é o vivermos nesta casa comum que habitamos?

Tópicos inspirados no Texto de Setembro –  Agenda CAD e OE

Vivemos Vulneráveis Como Em Pátria Nossa

blue nightImage by Noel Bauza from Pixabay 

     Solidão que se interpreta como ausência: o caminhar de uma expectativa onde as perguntas lacerantes são acolhidas.

     A presença oculta da morte incontornável confere a cada passo o cunho do que é autêntico.

     Vivemos vulneráveis como em Pátria nossa; fazemos do que permanece aberto por incompletude o impulso para a demanda.

      A Solidão é então espessura em movimento e torna-se navegável.

    A dor de ser acrisolado é a de caminhar por dentro, para dentro, até onde se pode livremente abrir uma exterioridade absoluta, “mais íntima a mim que eu próprio”.

     Não há prestígio, poder, olhar alheio, autoconsciência, saber de si. O ser despiu-se, porque se apostou e já não se detém a si próprio, desincluiu-se de si.

Partilha de Inspirações – “Dilatados Horizontes” – Agenda CAD – OE

A Paz Inviolada do Serão

   

a paz do serãoImage by spectrumline from Pixabay 

    Reúnem-se as razões de agradecer: têm encontro marcado aqui, na escrita da noite, a que pertencem como a um abrigo pobre, mas seguro.

     Elas convergem das várias dobras do dia, dos seus recantos obscuros, das suas clareiras de Paz, do tinir de brinde dos seus encontros cordiais.

     Outras vêm rastejando de passagens estreitas, os olhos a piscar ante o imenso Sol do dia que as atraiu para a liberdade, ainda vacilante, do seu expressar-se.

      Mas todas formam um coro unânime: o seu “Obrigada” é um cântico d’alma que  a escrita encomenda, num impulso incontível, ao mais alto dos Céus. 

Com LF9 – Partilha de Inspirações – OE

Um Crepitar de Luz

     pássaro em ramo florido

Image par dewdrop157 de Pixabay 

     As nossas mãos teceram a interminável tapeçaria do Dia, que vem sendo trabalhada por inúmeras mãos no desenrolar dos tempos.

   Um trabalho fraterno, a perder de vista, uma comunhão ativa de vida que configura a Família mesmo de quem não a tem e torna a Humanidade do presente mais real.

   Um passarinho explorou o labirinto dos ramos num incansável saltitar de curiosidade.

   Ele foi o grande companheiro na manhã dos salmos, o silencioso ouvinte de um crepitar de luz que eles acendiam.

Em isolamento, com o CAD – Partilha de Inspirações  – OE

Vida de Todos

     telhados abstração lírica

   Image par Denis Azarenko de Pixabay 

    “A Minha Vida” é uma expressão traiçoeira, pois a Vida real de cada um abre, em ângulo único, sobre a Vida de todos.

    Só esse prodígio, pelo qual Deus infiltrou secretamente todas as Vidas na Vida de cada um, já é uma expressão da Sua escrita criativa.

    Ela sobrenada o caos das linhas entrecruzadas: no que nos surge emaranhado e obscuro, Deus despista, num relance, o entremeado de todos os percursos que revela a inquebrantável união.

   Ele é não só o Criador das livres criaturas, como ainda permanece nos trajetos que elas desenham no tempo, mais íntimo a elas que elas próprias.

     Em Isolamento, com o CAD – Partilha de Inspirações – OE

Rumo ao Mar

barquinhos no marImage par Raheel Shakeel de Pixabay

     A Vida, humilde e soberana, irrompe e cumpre-se, diz-se e dá-se; é, não em si, mas em nós, a quem nutre e deixa ser.

   Quando nos aproximarmos do Mar, seremos já braços de Delta entrelaçados, cada um dando a vez a todos os outros.

   Aproximar-se é deixar ultrapassar, é refletir a luz que transforma e, por isso, permite aproximar.

    Distância infinita que a comitiva fraterna encurta.

Em Isolamento, Com o CAD,  – Partilha de Inspirações – OE

O Ninho

ninho-susana

Imagem: Oficina de Escrita

      Eis um lugar que procuramos, uma e outra vez, não só como a origem, mas sobretudo como um fim último, que recupera aquela e a transforma num eterno recomeço.

      Eis um lugar que pode ser entretecido por fios de tempo, de penugens de afeto, de palhinhas de conversas, com raminhos partidos das decisões marcantes.

      Eis um lugar ao abrigo da intempérie, camuflado de folhagem, ousadamente equilibrado no cruzamento de  dois ramos sobre o abismo, como um desafio que a confiança ingénua do ser opõe ao nada.

     Eis um lugar frágil e, ao mesmo tempo, inexpugnável, que ninguém pode tomar de assalto, e é apenas acessível por convite, mas que o primeiro vento da tarde pode derrubar, na sua desarmada exposição a qualquer força errante.

Com SL – Partilha de Inspirações – 05/17 – OE

Sondando as Fontes da Energia Humana

ecologia das emoçõesGentileza de Edicare.com

     Continuamos a partilhar a leitura do livro de Ecologia Emocional para Crianças  – “Energias e Relações para Crescer” de Mercé Conangla e Jaume Soler –  dedicado às  várias modalidades de energia que influenciam o destino do Mundo.

    Já vimos que as fontes de energia emocional, que subtendem o nosso agir e pensar  e orientam a qualidade da nossa comunicação, têm analogia com o dinamismo vivo da Natureza.

   Todos reconhecemos as energias básicas: alegria, amor, raiva, medo… mas para além do ato em que transbordam em nós e nos conduzem, podemos acolhê-las quando afluem e sermos nós a conduzi-las?

   Vimos que as energias limpas e superabundantes podem ser utilizadas sem limite: não cessam de promover a vida, de harmonizar o equilíbrio dos ambientes, de suscitar o convívio dos seres.

    Mas a natureza escondida das suas fontes implica um esforço para encontrá-las; depois outro para trazê-las à superfície: desejamos canalizá-las para agirmos de um modo transformador.  

     De que natureza é esse esforço que faz a prospeção das energias? 

   Conseguimos distinguir como crescem e sobem em nós, influenciando ou até dominando a nossa reação, a nossa comunicação com os outros?

    Conseguimos reconhecer a maré crescente de uma emoção pelas reações do nosso próprio corpo?

    Poderá ser útil investigar em nós as alterações que a maré de uma emoção provoca?

    Conseguimos explicar como o que sentimos influencia o nosso agir?

    • Podemos fazê-lo através de um diário? 
    • Podemos tentar uma reflexão através de  diálogos com amigos?
    • Pode ajudar-nos a experiência de um adulto em quem confiamos?

Com Prof Paula Xv – Partilha de Inspirações OE

Escrever a Si Próprio

escrever-a-si-propiroImagem: Oficina de Escrita

    Escrever a si próprio, muito tempo depois, quando as expectativas se cumpriram ou tomaram um perfil inesperado que nos transformou.

      Escrever a si próprio, muitos anos passados, quando a curva do último limite está à vista e temos de fazer adivinhar à jovem de outro tempo o que lhe permanece invisível na subida.

    Escrever a si próprio, dirigindo ao que ficou inconsolado uma energia que compensa o fracasso porque já o pressupõe.

     Escrever a si próprio, tomando nos braços a criança que tropeçou à beira-mar, no ímpeto da sua correria alada.

      Dizer-lhe, no canto do vento que sopra do mar, como se funde na alegria de todos os mundos o tão simples mistério de ela existir.

        Escrever a si próprio, acender os portões de luz que abrem para todos os outros. 

Com IM10 – Partilha de Inspirações – OE

Por Uma Ecologia das Emoções

ecologia das emoçõesGentileza de Edicare.com

     Para Bento Espinosa, também conhecido por “O Filósofo da Alegria”,  uma única energia vital repassava todos os estratos da realidade: o ímpeto para ser mais.

     Ao nível humano, esse dinamismo vivo vinha  já a expressar-se como o ato primitivo e fundador da vontade, a que ele chamou “o desejo de persisitir no ser”.

     Este fluir constante, que nos equilibra no viver, poderia precipitar o futuro; bastaria que a nossa imaginação inteligente fosse gizando o chamariz dos projetos que suscitam um mundo novo.

     Teríamos assim uma energia básica, comum a todo o Universo, que seria o sentido escondido da corrente do tempo: só ela permite um desenvolvimento sustentável, não se esgota, é vivificante para quem a utiliza, enfim, é Ecológica por excelência.

     O livro de Ecologia Emocional para Crianças  – Energias e Relações para Crescer de Mercé Conangla e Jaume Soler – é dedicado às  várias modalidades de energia que influenciam o destino do Mundo.

    São comparadas as energias físicas, que surgem no interior do Planeta com as energias emocionais que brotam no coração do ser Humano.

     Algumas, poluentes para a vida natural e facilmente esgotáveis,  desequilibram os ecossistemas de animais e plantas e tornam  insustentável o desenvolvimento dos povos.

    A elas  correspondem, no habitat do convívio humano, o Medo e a Raiva: se não podemos evitá-las no seu arranque espontâneo, podemos aprender a canalizá-las e a transformá-las.

    Outras são superabundantes, amigas do ambiente, inesgotáveis  e limpas. Como a energia do Sol – que oferece 4 mil vezes mais energia anual do que precisamos.

       A elas correspondem o Amor e a Alegria, poderosas emoções criativas, que se renovam continuamente, voltam para o futuro a mente luminosa, e abrem à confiança o acolhimento dos outros.

     Com suas atividades imaginativas, pontuadas de questões para pensar, este livro pode encorajar os atuais Projetos nascentes dos nossos Alunos, que, desde já, promovem a Vida e contagiam a Paz.

Com o 2º Ciclo – Partilha de Inspirações  – OE

Em Viagem

 veleiros no mar

Pixabay License   Image parDenis Azarenko de Pixabay

   Em Viagem…

  Somos nós próprios – o sonho antigo, a intuição profunda, os traços de um rosto interior – tecidos com o mesmo fio que a naveta traz e leva na urdidura das Viagens?

   Que há em nós tão familiar do que é longínquo que lhe pressente o acenar com insistência, sabendo que nos atrai?

  Quem não percorreu as arestas do distante com os dedos adivinhos de um desejo ainda sem nome?

   Quem não palmilhou, com o olhar caminhante, a vastidão do céu imóvel, quando o dia cumprido se resume numa linha ardente?

   Podemos nomear o rumo que traçamos? Como se torna legível a rota que escolhemos?

   Ao nosso lado, o marulhar da vida contra os flancos dos pequenos veleiros dos Amigos…

    Rápidos, sulcamos o azul puro: vamos juntos.

    A toda a nossa volta, o Infinito.

Visita a 6A e 6C – Partilha de Inspirações – OE

Os Pássaros Azuis e a Bola de Fogo

dois ovos azuis no ninho

     Photo by Landon Martin on Unsplash

     Logo ao amanhecer, no início da Primavera, os pequenos ovos estremeciam no seu ninho fofo.

     A Mãe estava deslumbrada e esperava, com impaciência, que as estreitas fendas se alargassem, dando aqui e ali, suaves bicadas, nas cascas sarapintadas.

     Por fim nasceram! E, no preciso instante em que as três cabecinhas azuis se esticaram para fora dos seus ovos quebrados, lá longe,  no horizonte rosado, a maravilha do Sol inundou o horizonte com a sua luz vivíssima.

      A Mãe saudou os seus filhinhos recém-nascidos com um trinado maravilhoso e eles voltaram as cabecinhas penugentas para ela.

    Abriam os bicos pequeninos, a imitá-la, descobrindo, pela primeira vez, que podiam ouvir e criar sons.

      Na sua intuição, ela entendeu que a saudavam com alegria e que estavam espantados com aquele irmão distante, a Bola de Fogo que nascera ao mesmo tempo. 

Com CC8B e MS8B, Partilha de Inspirações – OE

A Menina que Adorava Escrever

menina no jardim que caminha para uma árvore

     Pixabay Pixabay License

    Ela era ainda muito pequenina, mas tinha quase a certeza que ia ser escritora. 

     Assim que aprendeu a juntar as letras, desatou a garatujar os cadernos azuis que a irmã mais velha lhe fazia, amarrando folhas brancas, onde abria uns buraquinhos redondos.

     As capas eram o que ela mais apreciava: eram de um cartão azul-clarinho, com uma textura rugosa, que ela acariciava por um momento sempre que ia escrever.

     Às vezes, as histórias saltavam-lhe da mente com tanta rapidez que mal as conseguia apanhar com a ponta da caneta.

     Seguia o rasto esfuziante da sua imaginação com um esforço heróico dos seus dedos pequeninos, agarrando a caneta ao de leve para rabiscar mais rápido. 

     Em vão: saltitantes, com pequenas gargalhadas atrevidas, as histórias recém concebidas escapavam-se no vazio da sua própria fantasia.

     Outras vezes, a menina ficava muito tempo a pensar no que poderia escrever: sentada na mesa do seu quarto, olhava pela janela e perdia-se a contemplar a suavidade da luz que inundava o jardim.

     Apreciava o tronco da sua árvore favorita, a mais antiga, cujo nome o avô pronunciava devagarinho, em Latim, quando passeavam de mão dada, ao escurecer, antes da Mãe os chamar para jantar.

     Nesses momentos, a Menina que adorava escrever expressava muito pouco em palavras a misteriosa densidade da vida que os seus sentidos abertos captavam.

     Com efeito, o acontecimento tão simples de saborear a Natureza viva, ao fim do dia, na companhia carinhosa do Avô, revelava-se à pureza da sua infância como uma nascente de sentido sempre novo.

     E a Menina que adorava escrever pressentia, como quem ouve ao longe uma música desconhecida, que um pedacinho da realidade, assim vivida, escondia em si uma beleza infinita.

     Então interrogava-se se, um dia, seria capaz de transportar em palavras a carga preciosa da sua descoberta, a maravilha que assim se derramava, tão discretamente, num momento de ternura partilhada.

Com AF7B e CA7A – Partilha de Inspirações – OE