Querida Amiga

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    Cascais, 4 de Fevereiro de 2019

       Querida Amiga,

     Estou a escrever-te, porque queria falar-te da nossa amizade. Para mim, a amizade é uma maravilha especial que não dá para trocar por nada.

      São as histórias que vivemos, os momentos que vão ficar na cabeça para sempre. Foi assim que criamos a nossa amizade.

     Uma Amizade é uma maravilha, é o melhor que me aconteceu na vida. Para construir uma amizade precisas de confiar na tua amiga e ela em ti.

     Quando estamos com muitas pessoas, nós sentimo-nos mais à vontade, porque há sempre alguém que conhecemos.

    Uma amiga verdadeira não se encontra na rua, temos de viver grandes momentos, confiar na pessoa.

     Mas, se estivermos sozinhos com alguém, vamos ficar amigas, por isso eu aconselho a falar com toda a gente: até um “olá” chega, para começar a ficar amigo de alguém. 

     Para mim, tu és da minha Família, apenas não nasceste minha irmã!

      E pronto. Só te queria dar um grande beijinho.

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A Menina que Adorava Escrever

menina no jardim que caminha para uma árvore

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    Ela era ainda muito pequenina, mas tinha quase a certeza que ia ser escritora. 

     Assim que aprendeu a juntar as letras, desatou a garatujar os cadernos azuis que a irmã mais velha lhe fazia, amarrando folhas brancas, onde abria uns buraquinhos redondos.

     As capas eram o que ela mais apreciava: eram de um cartão azul-clarinho, com uma textura rugosa, que ela acariciava por um momento sempre que ia escrever.

     Às vezes, as histórias saltavam-lhe da mente com tanta rapidez que mal as conseguia apanhar com a ponta da caneta.

     Seguia o rasto esfuziante da sua imaginação com um esforço heróico dos seus dedos pequeninos, agarrando a caneta ao de leve para rabiscar mais rápido. 

     Em vão: saltitantes, com pequenas gargalhadas atrevidas, as histórias recém concebidas escapavam-se no vazio da sua própria fantasia.

     Outras vezes, a menina ficava muito tempo a pensar no que poderia escrever: sentada na mesa do seu quarto, olhava pela janela e perdia-se a contemplar a suavidade da luz que inundava o jardim.

     Apreciava o tronco da sua árvore favorita, a mais antiga, cujo nome o avô pronunciava devagarinho, em Latim, quando passeavam de mão dada, ao escurecer, antes da Mãe os chamar para jantar.

     Nesses momentos, a Menina que adorava escrever expressava muito pouco em palavras a misteriosa densidade da vida que os seus sentidos abertos captavam.

     Com efeito, o acontecimento tão simples de saborear a Natureza viva, ao fim do dia, na companhia carinhosa do Avô, revelava-se à pureza da sua infância como uma nascente de sentido sempre novo.

     E a Menina que adorava escrever pressentia, como quem ouve ao longe uma música desconhecida, que um pedacinho da realidade, assim vivida, escondia em si uma beleza infinita.

     Então interrogava-se se, um dia, seria capaz de transportar em palavras a carga preciosa da sua descoberta, a maravilha que assim se derramava, tão discretamente, num momento de ternura partilhada.

Com AF7B e CA7A – Partilha de Inspirações – OE