A Menina que Adorava Escrever

menina no jardim que caminha para uma árvore

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    Ela era ainda muito pequenina, mas tinha quase a certeza que ia ser escritora. 

     Assim que aprendeu a juntar as letras, desatou a garatujar os cadernos azuis que a irmã mais velha lhe fazia, amarrando folhas brancas, onde abria uns buraquinhos redondos.

     As capas eram o que ela mais apreciava: eram de um cartão azul-clarinho, com uma textura rugosa, que ela acariciava por um momento sempre que ia escrever.

     Às vezes, as histórias saltavam-lhe da mente com tanta rapidez que mal as conseguia apanhar com a ponta da caneta.

     Seguia o rasto esfuziante da sua imaginação com um esforço heróico dos seus dedos pequeninos, agarrando a caneta ao de leve para rabiscar mais rápido. 

     Em vão: saltitantes, com pequenas gargalhadas atrevidas, as histórias recém concebidas escapavam-se no vazio da sua própria fantasia.

     Outras vezes, a menina ficava muito tempo a pensar no que poderia escrever: sentada na mesa do seu quarto, olhava pela janela e perdia-se a contemplar a suavidade da luz que inundava o jardim.

     Apreciava o tronco da sua árvore favorita, a mais antiga, cujo nome o avô pronunciava devagarinho, em Latim, quando passeavam de mão dada, ao escurecer, antes da Mãe os chamar para jantar.

     Nesses momentos, a Menina que adorava escrever expressava muito pouco em palavras a misteriosa densidade da vida que os seus sentidos abertos captavam.

     Com efeito, o acontecimento tão simples de saborear a Natureza viva, ao fim do dia, na companhia carinhosa do Avô, revelava-se à pureza da sua infância como uma nascente de sentido sempre novo.

     E a Menina que adorava escrever pressentia, como quem ouve ao longe uma música desconhecida, que um pedacinho da realidade, assim vivida, escondia em si uma beleza infinita.

     Então interrogava-se se, um dia, seria capaz de transportar em palavras a carga preciosa da sua descoberta, a maravilha que assim se derramava, tão discretamente, num momento de ternura partilhada.

Com AF7B e CA7A – Partilha de Inspirações – OE

As Quatro Casas

4 casinhas

Flickr.com  Atribuição: CC2.0

A minha Casa-Escola é linda, divertida e estudiosa

A minha Casa-Família é alegre, sem preocupações e amorosa

A minha Casa-Comum é limpa, organizada, feliz e brincalhona

A minha Casa-Invisível é enigmática, pensativa e bondosa

Estas são as minhas quatro Casas e gosto muito delas

SCB6C

Exercício inspirado em “Ecologia Emocional para Crianças” de Mercé Conangla

Escutar a Família – II

coração num ramo de árvore de natal
                                                            Max Pixel Atribuição CC0

     Escutar os outros é muito bom, mas escutar a Família é maravilhoso.

     Podemos fazer a surpresa de oferecer um pequeno pacote de perguntas a cada pessoa da Família e oferecê-lo embrulhadinho com um grande laço!

     Estarmos todos em Grupo é magnífico, porque estamos em conjunto a perguntar e, ao mesmo tempo, estamos a escutar como se fosse uma Notícia a passar entre nós.

    A Notícia de Natal é sabermos da nossa Família: festejar é conversar com cada um.

     Risos e canções: há magia no ar, a estrela brilha na árvore e uma Esperança Viva brilha nos olhos de todos.

Texto a 3 mãos: ZG6B, AV6A e OE

Escutar a Família – I

pinhas, azevinho e neve artificial na ponta de um ramo

     LibreShot.com Atribuição CC0

      Escutar a Família é também entrevistar os avós sobre os Natais do seu tempo, quando tinham a nossa idade. De que gostavam mais?

     O que eu gostava mais na minha Família é ver todos muito felizes e muito contentes por aquilo que têm na vida.

     O Natal não é só presentes, também é muito Amor e Carinho. Não é o que receber, é o que dar.

     Damos atenção, mesmo às pessoas com quem estamos todos os dias: celebramos esse milagre de vivermos juntos.

     O Natal, para algumas pessoas, pode ser o único dia em que podemos estar todos juntos em Família, a conversar sobre assuntos que dão muita alegria.

Texto a 3 Mãos: ZG 6B, AV 6A e OE

Escutando o Coração

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Atribuição: CC2.0 Autor: Michael Coghlan imagem: Flickr

     Recordar é trazer ao coração, é viver de novo, mas recriando o que aconteceu e ainda retocando-o de gratidão, mesmo se foi um momento sofrido.

    Recordar é abraçar algo que já conhecemos, mas que agora chega como uma notícia fresca  e refletida, na distância do tempo que se abriu.

    Tantos desafios nos desfiaram a túnica da alma, nos revestiram de uma coragem que não conhecíamos e por vezes nos deixaram à míngua de luz, inventando um rumo para o passo seguinte.

     Voltamos uma e outra vez ao tesouro de um perdão sempre vivo para nos presentearmos mutuamente: é assim que podemos escalar o abismo do fracasso, e ainda, sentando-nos lá no alto, com as pernas balançando no vazio, brindamos ao futuro, com seus desafios sempre novos, tornando-os bem-vindos desde já.

Oficina de Escrita