Para Dirigir o Nosso Barco

barco entre nuvensPixabay License Imagem de Johannes Plenio por Pixabay

 “Para que uma coisa seja verdadeira é preciso que, além de ser verdadeira, entre na nossa vida.” 

Christian Bobin

    A Arte de conduzir um pequeno veleiro pode exigir a longa paciência de uma aprendizagem capaz de chegar a fazer corpo com a vida.

    Foi assim para Laura Dekker, a jovem navegadora que aprendeu com seu pai a velejar sozinha e a sentir-se em casa no mar alto, desde os onze anos.

    Tão entranhadamente incorporou as competências práticas de liderar a bordo como se confiou à paixão pela vida no Mar, acabando por tornar-se a pessoa mais jovem a dar a volta ao Mundo, sozinha, no seu pequeno veleiro.

     Assim, na aprendizagem da vida, há-de haver “um pai” que nos transmita o amor de um sonho exigente e o saber prático que o  torne realizável.

     Como colabora a nossa Escola na transmissão deste “saber viver”  – que vai muito para além de um saber técnico, embora também o integre?

     Como chega a voz dos Alunos mais velhos –  na sua experiência incipiente mas lúcida – à expectativa sonhadora dos mais novos?

     A Comunidade viva – que forma a Escola – como inspira os mais jovens a reconhecer no seu íntimo os traços do ideal que hão-de configurar o seu destino?

     Viver… Arte de Navegar.

Visita a 6A e 6C – Partilha de Inspirações – OE

Em Viagem

 veleiros no mar

Pixabay License   Image parDenis Azarenko de Pixabay

   Em Viagem…

  Somos nós próprios – o sonho antigo, a intuição profunda, os traços de um rosto interior – tecidos com o mesmo fio que a naveta traz e leva na urdidura das Viagens?

   Que há em nós tão familiar do que é longínquo que lhe pressente o acenar com insistência, sabendo que nos atrai?

  Quem não percorreu as arestas do distante com os dedos adivinhos de um desejo ainda sem nome?

   Quem não palmilhou, com o olhar caminhante, a vastidão do céu imóvel, quando o dia cumprido se resume numa linha ardente?

   Podemos nomear o rumo que traçamos? Como se torna legível a rota que escolhemos?

   Ao nosso lado, o marulhar da vida contra os flancos dos pequenos veleiros dos Amigos…

    Rápidos, sulcamos o azul puro: vamos juntos.

    A toda a nossa volta, o Infinito.

Visita a 6A e 6C – Partilha de Inspirações – OE

Albert Casals: a Partilha Incondicional

     Albert assiando livro

     Wikimedia.org Atribution: Creative Commons 4.0 Share Alike

     “Cuando tú eres nómada, lo que más sentido tiene para sobrevivir es compartir incondicionalmente”.

in “El Periodico

     Albert procura o que dá um sentido crescente à sua vida, o que lhe traz profunda realização enquanto jovem, o que imprime um impulso sempre novo à sua liberdade.

     Hoje com 28 anos, iniciou, desde os 14, uma Viagem de aventuras que nunca mais teve fim. Com a sua cadeira de rodas, uma pequena tenda e uma máquina de fotografar, Albert percorreu já mais de 30 mil quilómetros, um pouco por todos os continentes.

     Em consequência de uma doença grave, perdeu o uso das suas pernas a partir dos cinco anos. Contudo, nunca considerou a sua deficiência como um obstáculo; substituiu a ausência de alguns movimentos pela perícia no uso dos braços e do tronco, tornando-se exímio em trepar, saltar, rastejar e movimentar-se rapidamente sobre as suas duas rodas em qualquer caminho.  

    Depois de terminar os estudos de Liceu, tem-se dedicado ao estudo da Filosofia, que vai entremeando com as suas inadiáveis Viagens. Mais do que um interregno, uma pausa entre deveres, elas tornaram-se o seu verdadeiro e mais genuíno modo de viver, que a própria Filosofia ajuda a interpretar e certamente inspira. 

   Escritor de 3 livros, em diferentes etapas da sua maturação, Alberto partilha, nos seus relatos, a imensa riqueza de diálogos numa colorida variedade de culturas com que se cruza e cujos traços singulares sabe acolher e partilhar; encontros múltiplos, que transbordam de humanidade, pois a forma desamparada e franca com que ele se confia à bondade dos desconhecidos nunca o deixou desiludido.

     “Nueve de cada diez veces no aprendo de una cultura como tal, sino de una persona en particular que ya ha pensado por sí misma y ha encontrado sus propias soluciones a los dilemas de la vida: son esas personas, por encima de todo, lo que justifica viajar.”

in El Periodico

     Autónomo, andarilho apaixonado pela Natureza solitária, não receia montar a sua tenda leve nas areias de praias desertas ou em recantos de parques sossegados.

    Em comunhão com o silêncio do Universo, também se sente acolhido no abrigo natural que a paisagem mais singela oferece ao peregrino, quando a generosidade dos homens não se adiantou ao anoitecer.

   Os lucros da venda dos seus livros são distribuídos por ONGs da sua confiança, pois não só viaja sem dinheiro, como, de cada vez que regressa à Catalunha, sobrevive em Comunidade onde todos os bens são postos em comum.

     “Para mí el amor no tiene nada que ver con poseer algo, tiene que ver con apreciar la belleza de un proceso de transformación”

 in “El Periodico

Visita ao 6ºA e 6ºC – Apresentação de Viagens – OE

Entrevista de 2016 em Castelhano

Implicar-se na Aventura

Setembro 2019

O mar junto ao Guincho

Imagem: Oficina de Escrita

Levar comigo:

  • O que dá sentido;
  • O que me convida a avançar;
  • A certeza ou a incerteza de um destino? Porquê?

Resiliência:

  • Resistir às adversidades;
  • Persistir nos troços difíceis…

Companhia:

  • Posso levar todos? Como?
  • Quem escolho para ir mais perto?

Liberdade:

  • O que me ajuda a ser eu próprio?
  • Posso apresentar-me aos outros como sou?

Beleza:

  • O que traz harmonia a esta jornada?
  • O que é que a torna única?

OE

Escrita Livre

escrita livre

    Image parMediamodifier de Pixabay 

    This Article is the Authorized Translation of the original Free Writing for All   by the author, Teacher, Behaviour and Education Specialist Adele Bates. Este Artigo é a Tradução Autorizada do Original Free Writing for All  da autora, Professora e Educadora Especialista em Comportamento Adele Bates.

       Em mais de uma ocasião tive de justificar o facto de trazer a Escrita Livre para uma aula de Inglês.[1] Tenho tanta convicção, experiência e provas dos inumeráveis benefícios da Escrita Livre em sala de aula, que alterei regras, arquitetei planos de aula e menti abertamente a responsáveis para conseguir manter esta prática na minha sala de aula.

     Em tão alta conta a tenho.

    O que é a Escrita Livre?

Corrente de consciência. Escrita em fluxo livre. Tempo de pausa. Tempo criativo. Rabiscos. Alunos a escrever muitas palavras. Silêncio. Concentração. Aborrecimento. Aprendizagem inconsciente. Tempo de digestão. Reflexão. Tempo não estruturado. Pensamento no limite. Vazios. Escrever sem restrições de gramática, de precisão, de audiência. Espaço. Sim, espaço.

  • A abordagem mais bem-sucedida que encontrei até agora (existem outras) é marcar 10 minutos no início de uma aula uma vez por semana. Num mundo ideal, fá-lo-ia todos os dias, mas isso fica para a minha Escola Futura.
  • Apresente o conceito primeiro, dê exemplos. Alguns alunos vão achá-lo desafiador, precisam de saber que só lhes está a exigir que NÃO PAREM DE ESCREVER.
  • Agora leio sempre as primeiras duas páginas de “Writing without Teachers” de Peter Elbow, que explica o conceito e dá um exemplo. Geralmente, isto é suficiente.
  • Deixe bem claro que isto não é “trabalho”, não é para nota – contudo deve ser lido de tempos a tempos. Sim, é o caderno de Escrita Livre deles, mas mesmo assim é um caderno de escola.
  • Como tal, a minha regra sobre o uso de calão é sempre usar um *. Geralmente, os alunos acham espantoso ser-lhes permitido escrever palavras em calão – B*las, R*s – num caderno de escola; levam os primeiros 5 minutos sem fazer outra coisa, aborrecem-se e nunca mais fazem.
  • Coloque o cronómetro num sítio amplo e facilmente visível para todos.
  • Disponha de cadernos especificamente para Escrita Livre, tendo escrito na capa: NÃO É PARA NOTA (os alunos gostam imenso disso e esses cadernos “indisciplinados” podem ser escondidos de observações indiscretas.)
  • Insista num completo silêncio durante o tempo marcado.
  • Saia da secretária, sente-se no lugar vazio de um aluno, no parapeito da janela, no chão.
  • FAÇA VOCÊ MESMO O EXERCÍCIO – A Escrita Livre NÃO tem a ver com ensino consciente de professor para aluno, tem a ver com construir um espaço seguro em que os alunos possam aprender. Você não tem nada a ver com o processo deles no momento em que ele ocorre – tenha o seu próprio, seja o modelo da prática – este é o ensino mais poderoso para os alunos.
  • Se entrarem visitantes, ignore-os. Ficarão profundamente impressionados por toda a sua turma de 9º ano estar sentada em silêncio absoluto, a escrever, nos primeiros 2 minutos da aula (uma exigência para algumas escolas).
  • Inclua quaisquer outros membros da comunidade educativa na sala – qualquer pessoa presente na sua sala durante o tempo de Escrita Livre deve estar a fazer Escrita Livre.
  • No final do exercício, dê um minuto para cada um partilhar o quiser com alguém sentado ao lado. Não é obrigatório partilhar, mas, muitas vezes, os alunos descobrem muita coisa que vão querer expressar. Ocasionalmente, abro espaço para partilhas de trabalho mais longas, para aqueles que assim o desejarem.

A organização pode demorar um bocadinho a estabilizar – tanto para os alunos como para os professores. Geralmente, levo cerca de 3 sessões até os alunos entrarem na onda e pararem de colocar questões. Vamos falar de benefícios:

Benefícios que as escolas/ os mentores/os observadores/Terapeutas da Fala [2] gostam de ouvir:

  • A Escrita Livre intensifica a energia dos alunos para escrever. Alguns exames nacionais de 11º ano [3] duram 2h e 45m – de escrita sólida. Mantenha-os a escrever durante 10 minutos, de forma consistente, ao longo do 7º ano, uma vez por semana, e isso poderá tornar-se facilmente numa disciplina pessoal interiorizada.
  • O exercício repetido regularmente promove rotinas, autodisciplina e concentração da atenção logo no início de cada aula. 
  • Torna-se uma ferramenta positiva e preventiva para a boa gestão do comportamento.
  • Alunos com Habilidades pouco desenvolvidas, que podem ter dificuldades para escrever extensivamente (sendo a escrita extensiva um ponto comum transversal a todas as disciplinas, atualmente), escrevem páginas neste exercício, com regularidade. Isto constrói a confiança na sua habilidade para serem capazes de escrever, a partir da qual pode progredir para uma escrita mais formal.
  • Alunos com Habilidades mais desenvolvidas sentem-se muitas vezes desafiados por esta tarefa, uma vez que se sentem perdidos, sem direção ou alvo definidos; têm de construir o seu próprio alvo – o que constitui uma competência final mais elevada na Taxonomia de Bloom.
  • O exercício é adequado para todas as habilidades, Necessidades Educativas Especiais,  [4], Inglês Língua Não Materna [5] – destaca-se por si mesmo. (Ver abaixo em “E se…?”)
  • Com uma turma nova, torna-se um meio simples para criar relações rapidamente com os alunos – quando ler o primeiro maço de textos, vai descobrir muito mais sobre cada aluno do que teria tido tempo para descobrir nessa primeira lição de 50 minutos.
  • Com o tempo, os alunos ganham confiança nas suas próprias capacidades para, simplesmente, escrever. Tive vários alunos que, no final das sessões, declararam que tinham escrito uma história pela primeira vez, desde a Primária, ou que se tinham surpreendido ao escrever um poema – quando, afinal, nem gostavam de poesia.
  • Com o tempo, os alunos muitas vezes revelam informação sensível – o que se torna uma ferramenta de apoio para você conceber medidas apropriadas de ajuda.
  • Constitui um método altamente considerado entre autores publicados, através dos tempos.

E se…?

  • Os alunos falarem/se portarem mal

Se são apenas um ou dois, a atitude mais eficaz que encontrei foi simplesmente sentar-me ao lado deles para fazer a minha própria Escrita Livre. Não digo uma palavra, nem sequer olho para eles, apenas dou o exemplo sobre o que é preciso fazer. A estranheza desta atitude geralmente fá-los concentrar rapidamente. Se são vários alunos, então, muitas vezes, trata-se de um problema com os lugares atribuídos no plano da sala que devem ser repensados.

  • Se eu tiver alunos com Necessidades Educativas Especiais (SEND [4]) que não conseguem escrever?

Descubra o equivalente que seja adequado às suas necessidades – em geral, você já sabe, ou, se não, o seu departamento de Coordenação da Educação Especial [6] há de saber. Tive alunos a escrever em chromebooks e a usar o teclado. Alguns alunos gostam de saltar uma linha de vez em quando (como podiam e eram encorajados a fazer na Primária), outros preferem papel liso, sem linhas – adapte-se ao que eles preferem.

  • Se eu tiver alunos de Inglês Língua Não Materna [5]?
    Encorajo vivamente que seja permitido aos alunos escreverem em qualquer língua em que se sintam confortáveis (o que, tal como o escrever em calão significa, durante os primeiros 5 minutos, os seus falantes de Inglês vão tentar regurgitar as aulas de Alemão que tiveram em dois anos – ótimo! Revisão de Alemão automotivada! – Não se esqueça de dizer ao Departamento de Línguas Estrangeiras [7]).

A melhor prática pedagógica para os alunos de Língua Inglesa Não-Materna é utilizarem a nova língua tanto quanto possível, claro. Contudo, na sua Escrita Livre, isto dá-lhes uma oportunidade para refletir e trabalhar, através da aprendizagem, numa língua em que se sentem peritos. O que também é importante. Tive um aluno de Língua Inglesa Não-Materna, com elevadas qualificações, que teve de mudar para Inglaterra inesperadamente no 10º ano. Pude constatar, que, ao longo de semanas e meses, ele estava a tornar-se cada vez mais desencorajado, por sentir que se tinha tornado um pior aluno na escola – apenas devido à barreira da língua, mais do que devido às suas Habilidades. Uma vez por semana, era libertador, para ele, poder comunicar livremente. Na realidade, os alunos de Língua Inglesa Não-Materna com quem trabalhei, geralmente, fazem uma mistura de línguas em Escrita Livre, provavelmente refletindo de perto o modo como estão a aprender nas nossas escolas.

  • Os alunos recusam-se a participar.
    Em primeiro lugar, descubra porquê. Uma vez tive um aluno que vivia em circunstâncias difíceis e tinha várias necessidades relativas a saúde mental, que simplesmente não era capaz de elaborar ou não tinha a confiança necessária para escrever. Durante algumas semanas, eu sentei-me a seu lado e escrevi alternadamente, como num jogo do género de associação de palavras. Por exemplo, “Morangos, Futebol, Frio, Chuva, Sapatos…” Algumas semanas depois, só precisava de fazer isto no início, depois ele já conseguia ser capaz de desenvolver, durante a sessão inteira, por si mesmo.

Para outros, sublinhe que a tarefa consiste apenas em escrever; se não o conseguem fazer, então não estão a cumprir com um trabalho previsto, e os procedimentos normais da Escola sobre o comportamento devem ser aplicados.

  • Não ensino Inglês.
    A Escrita Livre é livre para todos. Lute por ela.

Para ir mais longe…

Depois de um longo período de prática de Escrita Livre é possível utilizar a ferramenta para apresentar um tópico. Um exemplo com muito êxito é o de quando perguntei a uma turma de oitavo ano o que sabiam sobre a I Guerra Mundial, para lhes apresentar a nova unidade de poesia. Tivemos um diálogo de turma com algumas respostas muito básicas: cavalos, a primeira vez que se usou o gás como arma, 1914- 1917.

Então, convidei esta turma a fazer 10 minutos de Escrita Livre sobre o tópico. Encorajei-os a manter o tópico em mente, mas, ao mesmo tempo, a continuar a escrever apenas o que lhes surgisse. Por exemplo: “I Guerra Mundial, o que é que eu sei ? Não demos isto no 6º ano, com a Professora Patel? Ah sim, fomos àquele bunker, não foi? Ou isso foi na II Guerra Mundial? Qual é a diferença? Espera aí, não estávamos com os Alemães nessa altura e depois contra eles na II Guerra? A Emma está a escrever imenso – como é que ela sabe tanto? Talvez ela esteja só a escrever sobre o seu cabelo, afinal. Afinal, sim. Que mais? Oh, cantamos aquelas canções – Embrulha os teus problemas no teu velho saco e sorri, sorri, sorri… Isso foi no quarto ano. Não tinha ideia sobre o que era, nessa altura, mas creio que é o género de canção que pode animar as tropas?”

Seguindo a mesma inspiração da teoria por trás de “Pensar, formar um Par, Partilhar”, o facto de dar aos alunos tempo para refletir sobre o tópico trouxe muito mais conhecimento reconhecido para a discussão. Os estudantes tornavam-se mais empenhados à medida que se iam dando conta de quanto já sabiam e de algumas das memórias de fundo sobre o que tinham aprendido antes (especialmente as canções).

Depois, repeti o exercício no final da unidade. Eles puderam comparar as duas Escritas Livres e facilmente constataram o seu próprio progresso.

Os meus Destaques sobre Escrita Livre:

  • Ao fim de 10 minutos, é habitual ter mais alunos do que tempo disponível a sentir-se entusiasmados para partilhar o seu trabalho.
  • Na sessão 3, li, num texto de Escrita Livre de uma aluna muito  tímida, que ela ia ter uma competição de dança no fim de semana. Lembrei-me e perguntei-lhe na Segunda-feira. Ela ficou muito impressionada por eu ter lido, ter-me preocupado e ter-lhe perguntado – depois disso ela começou a participar nas conversas na aula.
  • Um aluno surpreendeu-se ao escrever um poema acerca das suas opiniões sobre a educação – quando ele achava que detestava poesia.
  • Um aluno de oitavo ano, com habilidades em grau elevado , que até então tinha considerado fáceis todas as tarefas que eu tinha dado, encontrou, na Escrita Livre, pela primeira vez, um desafio e teve de se esforçar para conseguir enfrentá-lo.
  • Um aluno confidenciou-me as suas reflexões sobre género e as possibilidades de transição. Na Escola, em Escrita Livre, os alunos sabem que existe a hipótese de o seu texto ser lido, pelo que pude ter uma conversa com ele, começando com: “Notei, na tua Escrita Livre… Gostavas de conversar sobre isto?” Isto fez com que eu tivesse sido o primeiro adulto com quem se abriu, e fui capaz de o apoiar na escola e junto dos pais, durante a sua transição.
  • Muitos, muitos alunos vêm ter comigo no ano seguinte – quando já não têm as minhas aulas – pedindo para terem Escrita Livre com o professor atual.
  • Alguns Alunos pedem para levar os seus cadernos de Escrita Livre para casa, a fim de escreverem mais.

13 de Agosto 2018

Adele Bates

[1] – Inglês é a Língua Materna da Autora. Para leitores Portugueses aplica-se o Português.

[2] – SLT – Acrónimo de ”Speech Language Therapeut”; corresponde a Terapia da Fala.

[3] GCSE  – Acrónimo de “General Certificate of Secondary Education”. Corresponde aos Exames Nacionais de 11º ano.

 [4] SEND – Acrónimo de “Special Educational Needs and Disability”. Corresponde a necessidades educativas especiais.

[5] EAL – Acrónimo de “English as an Additional Language”. Corresponde a Inglês Língua Não Materna.

[6] SENCO – Acrónimo de “ Special Educational Needs Coordinator”. Corresponde a Coordenador de Educação Especial.

[7] MFL Department – Acrónimo de “Modern Foreign Language Department”. Corresponde a Departamento de Línguas Estrangeiras.

Gerir a Atenção – 1

espaço da atenção e nuvens da distraçãoImagem: Oficina de Escrita

     Cada um de nós é um feixe “de possibilidades praticamente inesgotáveis”* e cada um “se aprofunda pelo exercício do seu poder interrogante”*.

    Nesse experimentar-se destaca a constitutiva relação aos outros: em comunhão com todos é que se torna possível a descoberta vital de um sentido para cada um.

     Para Chris Bailey, autor de “Hyperfocus”, a ferramenta mais poderosa, mas limitada e sujeita a constrangimentos, para nos introduzir nesta aventura de construir sentido, é a atenção.

     “Gerir intencionalmente a nossa atenção é, como dizia o “Irmão Rafael” aprender a levar o pensamento pela mão.

   Num mundo “sobrecarregado de distrações como nunca houve outro na história da humanidade” (Crys Bailey) a nossa atenção é facilmente raptada, deixando-nos demasiado ocupados, dispersos e pouco produtivos.

    Aprender a focar o pensamento voluntariamente, dar-se conta do seu devaneio aleatório, reencaminhá-lo de volta, tirar partido do fluxo de ideias errantes que podem fecundar um raciocínio estreito,  eis alguns dos traços que podem gerar um ritual  de paciência, um abrigo para trabalho intenso e fonte de alegria nos nossos dias agitados.

     A Atenção revela a sua importância inestimável quando começa a viver-se como o projeto de uma intenção para lá do seu uso utilitário: mero funcionamento passivo da mente em que cumprimos hábitos de modo automático.

    Alguns hábitos – e suas tarefas adjacentes – podem ser realizados  simultaneamente em combinações estratégicas (“multitasking”), para rentabilizar o horário nobre do nosso tempo útil, constantemente ameaçado por urgências aparentes.

    Esta ocupação múltipla deixa ainda espaço livre de atenção onde a mente devaneia de modo indefinido ou aberto à invenção, se treinarmos como captar as ideias insólitas que gravitam na periferia da consciência.

     Mas as tarefas complexas, como o estudo dos nossos Alunos, uma atividade mais personalizada, o exercício de uma Arte, uma manufactura artesanal, uma reflexão ou uma construção de conhecimento convocam todo o espaço de atenção disponível e só encontram o seu meio vital em concentração profunda.

   Este estado especial de atenção, a que o autor chama “Hiperfoco”,  que se desenvolve e fortalece com intenção deliberada e treino regular, permite tornamo-nos “mais produtivos, mais criativos e mais felizes”.

     O esforço exigido para gerir deliberadamente a nossa atenção é compensador, pois nos oferece um sentido de realização pessoal com o qual a distração mais sedutora não consegue concorrer.

*J Cerqueira Gonçalves, Itinerâncias de Escrita, Vol II, pag. 438

Fontes:Hyperfocus Autor: Chris Bailey;  Vídeo de Apresentação do livro      Vídeos do Autor

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Pseudo-Estratégias – 1: “Estilos”

Imagem: Oficina de Escrita

     Neste momento de viragem para a nossa Comunidade Educativa, tentamos recolher pistas orientadoras a partir da experiência preciosa daqueles que vão à nossa frente no caminho da Inovação da Escola.

   Os resultados validados cientificamente no âmbito das Ciências da Aprendizagem alertam-nos para o facto de se deverem evitar algumas formas de ensinar que se revelaram ser ineficazes para uma real aprendizagem dos alunos.

      Uma das abordagens de ensino mais intuitivas e, por isso, mais divulgadas, cujos efeitos na aprendizagem efetiva não tem resultados consistentes:

     Ensinar segundo os “Estilos de Aprendizagem” preferidos por cada aluno.

Recursos 

    1 – Artigos de Divulgação –

1.1. No excelente siteThe Learning Scientists”  – uma página de títulos de artigos que explicam, em detalhe e em linguagem acessível,  por que motivo a ideia dos “Estilos de Aprendizagem” não se traduz em práticas pedagógicas eficazes.

Página de Resumos de Artigos

1.2.  The Effortful Educator: Aprender Mitos versus Aprender Factos

1.3. Ted Talk sobre este assunto

1.4.   The Atlantic O Mito dos “Estilos de Aprendizagem

   2 –  Artigos Académicos –  fundamentação científica que denuncia a inconsistência desta abordagem.

2.1. Frontiers in Psychology– Site de psicologia educacional: (https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2015.01908/full)

2.2. O Mito dos “Estilos de Aprendizagem” no Ensino Superior (https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2015.01908/full)

2.3. Relatório Científico: O efeito na compreensão após a aplicação de “Estilos de Aprendizagem” no Ensino.

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Projeto Educativo e Escrita Pessoal

jovem dançando sobre livro giganteImage parJonny Lindner de Pixabay 

         O carisma educativo Useriano serve o ideal de cada aluno vir a ser pessoa integral, à imagem de Cristo, que abre, para o ideal de um humanismo cristão, o mais amplo horizonte de sentido.

      Projeto Educativo: espaço de vida em que se exercitam as  orientações comuns que visam a união harmoniosa dos esforços de todos os que estão ao serviço na nossa missão educativa.

    O seu “Porquê” é o próprio sonho do Fundador, mas inclui também toda a riqueza acumulada pela  experiência de vida das comunidades educativas que  seguiram na esteira deste sonho ao longo de mais de 150 anos.

      No recanto da Oficina de escrita, a criação de textos constitui a mediação entre a pessoa do aluno em formação e o seu advento como pessoa integral – ou pessoa “crística” no sentido do Carisma.

         Que efeitos reais tem esse exercício pessoal de escrita?

      Como é que ele contribui para deixar transparecer um novo Mundo que está neste, em gestação, e precipita o seu Advento? 

      O poder transformante da escrita oferece a possibilidade de criar as condições onde a inspiração única de cada um se possa tornar articulável. 

        Os exercícios sugeridos para desencadear a elaboração escrita mais livre possível favorecem que a intuição original de cada um se mostre viva.

       A energia da inspiração brota dessa intuição original; a sua força viva não é cega, mas inteligente: ela imprime uma forma inteligível à vivência de cada um e ao  próprio acontecer da sua escrita.

         Visamos proporcionar o meio vital onde os alunos possam dar forma à sua experiência do mundo, tornar nítido o seu próprio pensamento, articular com clareza  os tópicos para um projeto pessoal.

   Trata-se de criar o espaço humanizado onde possam emergir rostos únicos; o que também significa, segundo o Carisma, o sentido último, o advento da Pessoa.

    Esta resposta final já não é apenas humana, e, enquanto “resposta”, nada encerra, mas tudo abre  e liberta como esperança divina.

OE

Prática de Recordar – 2

dicionárioImagem:  Adivinha de uma Aluna de 5B –  2012

      Preparar os dados retidos na memória de longo prazo para a longa etapa da travessia até à memória de trabalho pode ser comparado com o domínio do Braille por uma pessoa cega, pois  trata-se de tornar  de novo legível o que se apagou há muito na superfície da mente.

     Uma vez que, na rotina tradicional da Escola, os programas são demasiado densos para as poucas semanas que medeiam entre testes de avaliação, os estudantes não chegam a cumprir o ciclo completo de uma aprendizagem personalizada.

     À 1ª etapa, de receção ativa de informação, em que a atenção se concentra na captação de novos dados, os estudantes passam rapidamente para uma última etapa de avaliação, sem terem tido tempo de processar as informações e de as assumir em compreensão refletida.

     Pelo meio, pode ganhar alguma consistência uma etapa intermédia de repetição:  apontamentos, esquemas, releituras… mas toda esta atividade acaba por limitar-se a refazer o percurso da 1ª etapa: uma receção ativa reiterada.

      Para além de uma aplicação prática que se pode expressar em exercícios, seria ainda preciso a etapa intermédia em que a maior parte do tempo de estudo é passada a recordar ativamente.

      Os estudantes reconstruiriam de raiz, o travejamento dos conhecimentos novos, relacionando-os com conhecimentos prévios, fazendo a prospeção de suas eventuais aplicações futuras.

         Pode utilizar-se o apoio de questões orientadoras, mas que sejam, de preferência, suficientemente abertas, para que se possa exercer o esforço laborioso de mobilizar os dados, tornados imperceptíveis na memória de longo prazo. 

           Segundo os pesquisadores das Ciências da Aprendizagem, quanto mais árduo for este trabalho de recordação, mais a memória de longo prazo se reorganiza e ativa, acrescentando, a cada viagem, novos detalhes que vêm enriquecer a organização dos dados resgatados para a memória de trabalho.

       Aqui ficam disponíveis para a inteligência que os reflete, conquistando a lógica da sua interelação, que os manipula como exemplos de princípios mais gerais, que os aplica na identificação de uma lei, que os transfere para novos contextos.

          Esta prática repetida com regularidade, torna o estudante capaz de encarar o momento de Avaliação como uma  oportunidade pessoal de construir conhecimento.

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Faíscas Aleatórias

   faísca aleatória

     Image parFree-Photos de Pixabay 

     No seu livro “Build your Business on Ideas” a autora, Jodie Newman, ensina a interromper bruscamente a sequência linear do pensamento lógico, quando este se esforça laboriosamente para enfrentar um desafio ou resolver uma questão difícil.

     Esta interrupção intencional visa infletir subitamente a linha do pensamento sequencial e gerar um fluxo de ideias inesperadas, capazes de encontrar uma solução imprevisível.

    A este elemento disruptivo, o autor chama a”Faísca Aleatória”

      O instrumento que provoca a ruptura pode ser uma palavra ou  frase, um som, uma imagem, um objeto, desde que não tenha nenhuma relação aparente com o assunto em debate.

     Dá-se um salto na forma de pensar sobre um assunto se for possível provocar uma associação imprevisível com  ele. 

    Esta adoção de um novo ângulo de visão quebra o molde antigo que aprisionava a mente; descentra cada um de nós dos nossos pontos de vista pessoais; as “faíscas” tornam-se ferramentas de um pensamento criativo.

    As três etapas deste processo são:

      1. Deflagração da “faísca” ou “ruptura inaugural”;

    2. A descoberta de uma relação inesperada com o assunto em questão;

    3. A configuração inédita que assume aquilo que se pretendia solucionar, aperfeiçoar ou recriar.

Fonte:Build Your Business On Ideas” 

Exemplo de aplicação de “Faíscas Aleatórias” no seu site, com o Gerador de Faíscas: http://thebusinessallotment.co.uk/spark

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Agendar os Momentos de Estudo

gestão do tempoImagem: Oficina de Escrita

     Os alunos que frequentam a Oficina partilham e aperfeiçoam o  seu modo de organizar o estudo e  de gerir o seu tempo de trabalho.

     Estes relatos de rotinas escolares ocorrem especialmente em momentos de viragem do ano, como no início e no final dos trimestres, e alguns ficam incluídos na rubrica “Conversas na Oficina” –  que recolhe uma variada miscelânea de temas.

       Alguns estudantes do 2º Ciclo, com o apoio preciosos dos Pais, conseguem elaborar um horário de estudo adequado às semanas letivas.

      Alternando o imprescindível convívio familiar com atividades livres, sessões de trabalho e intervalos breves, os estudantes conseguem cartografar, com alguma precisão, a ocupação das suas tardes, serões e fins de semana.

          Estes guias de estudo vão orientando o quotidiano dos mais jovens: favorecem a criação de hábitos de estudo e,  ao mesmo tempo,  libertam mais tempo vivo para os “hobbies” favoritos dos mais extrovertidos ou permitem aos mais introvertidos  recuperar energia, estando simplesmente consigo próprios.

         Alunos há que anda não conseguiram usufruir desta maestria sobre o fluxo do tempo que um bom agendamento de deveres e recreios lhes permitiria.

    Demasiado cansados depois de um dia bem carregado de aulas, evitam aproximar-se novamente dos livros e, antes ou depois de terminar os seus deveres apressadamente, dispersam-se numa agitação sem repouso.

     Outros experimentam a profunda segurança que o cumprimento  regular de um horário equilibrado proporciona a longo prazo: orientados no fluxo das horas, habituados a alternar o exercício físico com as práticas de estudo, os estudantes robustecem as suas  competências e ganham confiança e auto-estima.

Horário Semanal de Estudo em Casa

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OE

 

 

Que Razões para Aprender?

 o planeta como aldeia globalImage parskeeze de Pixabay

     “Uma maneira criativa de aprender ainda não é uma razão para aprender”

 Michael Wesch

     Este autor fala da importância crucial de uma Narrativa Global emergente que consiga convocar a pluralidade das culturas e unificar as energias desperdiçadas pela crise generalizada de sentido que atinge todas as gerações.

     Para este professor, estamos a tomar plena consciência de que a nossa situação real, no momento presente, consiste em estarmos globalmente conectados, em constituirmos todos juntos uma aldeia planetária comum, e em estar, assim, o destino futuro da nossa humanidade dependente de cada um, em estreita união com os outros. 

     Para Michael Wesch, esta é a Narrativa Global que se apresenta com a força de uma intimação suficientemente poderosa e atraente para substituir o papel que desempenharam, em épocas anteriores, outras narrativas globais, designadamente, as grandes religiões que difundiram a sua mensagem transversalmente a múltiplas culturas ou os ideais políticos que suscitaram impérios, unificando diferentes povos numa visão comum.

     Esta inspiradora visão de uma aldeia global,  ao repor o desafio da responsabilidade nas mãos dos simples cidadãos,  pode devolver-nos a vontade de construir o mundo de outra forma,  desencadear o esforço multifacetado por um desenvolvimento sustentável e mesmo, finalmente, motivar a Geração mais Jovem a Aprender.

     Que temos a dizer sobre esta Questão? Quais são as nossas Razões para Aprender?

Fontes: Youtube    http://anth101.com Anti-Teaching: Confronting the Crisis of Significance.pdf Uma perspetiva crítica: Prof Jake Keyel

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“Recordar” – Aplicação Prática 1

jovem estudando com os livros pelo arImagem de Pexels por Pixabay

    O professor Blake Harvard partilha, no seu blog,  com todos os colegas do mundo, as estratégias que vai elaborando para tornar o estudo dos seus alunos cada vez mais eficiente.

     Neste exemplo concreto, ele pretende tirar o máximo partido de uma questão de resposta múltipla, que pode ser utilizada no início de uma aula, como aplicação rápida da prática de recordar (Retrieval Practice).

     Esta atividade, facilmente adaptável a vários contextos de estudo, também simplifica a avaliação formativa de um assunto, a realizar pelos próprios alunos ou em conjunto com o professor.

     Esta modalidade de Questão de Escolha Múltipla apresenta as  vantagens de:

      • Tirar partido de todas as alíneas.
      • Mobilizar o esforço dos alunos para uma tarefa mais complexa do que simplesmente colocar um X. 
      • Permite percorrer um vasto domínio de conteúdos: com 10 questões de 5 alíneas, é possível rever 50 tópicos.

      tradução resposta múltipla blake harvard

aumentar-eficácia-questões-de-resposta-multipla

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Mapas Mentais – Tony Buzan

mindmap de um capítulo do livro "Linchpins"Imagem: Oficina de Escrita

     Como desenhar Mapas Mentais orgânicos, segundo Tony Buzan?

    1 – Coloca-se a ideia principal numa forma circular central, sobre papel branco, sob a forma de um desenho e escrita com letras maiúsculas, facultativamente (o papel não deve ter linhas).

2 – Desenham-se os ramos das ideias secundárias, em cores diferentes; é importante para o cérebro que as linhas sejam radiantes a partir do centro; que sejam diversamente ondulantes; que as cores sejam vivas e contrastantes.

     2.1. Ao longo da base, mais larga, de cada ramo, escreve-se a primeira ideia secundária de cada assunto a tratar.

     2.2. À medida que os ramos ondulantes se afinam, vão-se escrevendo ideias ou relações hierarquicamente inferiores.

     2.3. Esses ramos ondulantes podem ter ramificações mais finas, para as diversas subdivisões necessárias ao detalhe das ideias.

      3. No final de cada ramificação devem acrescentar-se elementos visuais, desde pequenos esboços, desenhos simbólicos, ou mesmo imagens nítidas.

         4. Para memorizar definitivamente os conteúdos de aprendizagem na memória de trabalho: elaborar o mapa horas depois de uma aprendizagem; refazer: um dia depois, uma semana depois, um mês depois, 6 meses depois.

mindmapa aumentadoImagem: Oficina de Escrita

Mapa-de-Ideias-1

Fonte: Mind Maps for Kids, by Tony Buzan

OE

Projeto Educativo e nossos “Como”e “Porquê”

o círuclo dourado de sinekFlickr.com Atribution: CC 2.0 Generic Author: Sticker Giant

     O nosso “Porquê” é a referência decisiva que orienta o agir de cada um no meio vital que é a Comunidade Educativa e que se ajusta, em harmonia com a diversidade de todos os outros “Porquês”, ao núcleo do nosso Projeto Educativo.

     Para o jovem autor Simon Sinek, é no interior de “O Círculo Dourado“, a camada interna do cérebro que não tem acesso a uma linguagem articulada, que pulsa o nosso “Porquê”.

     No íntimo desse coração símbólico, sede de convicções profundas e de intuições vitais, as experiências mais marcantes da nossa vida foram configurando o esboço de um sentido último que preside, frequentemente oculto, às grandes tomadas de decisão que modelam a existência e a tornam significativa.

    As nossas razões finais devem tornar-se explícitas, a fim de iluminarem o nosso modo único de agir que, por sua vez, se aplica, com o selo de um estilo inconfundível, àquilo que fazemos.

    Assim, o “Porquê” – a fonte inesgotável de sentido, o “Como” – o que nos torna únicos no agir – e o “O Quê” – aquilo com que realmente contribuímos e onde tocamos o concreto da vida a desenvolver em comum – são as 3 dimensões hierarquica e intimamente ligadas que estruturam a Pessoa, a Comunidade, a Organização.

    Como relacionar o “Porquê” e o “Como” de cada um, bem como os de cada equipa colaborativa dentro da Comunidade, com o “Porquê” e o “Como” do nosso Projeto Educativo? 

OE

Fontes: Simon Sinek Start with Why; “Find your Why

Refletir sobre a Aprendizagem

   pequena árvore invertida com seu reflexo

   Photo by Faye Cornish on Unsplash

    Quais as vantagens de se refletir sobre algo que se aprendeu?

     Ao refletir, o aluno pretende compreender as ideias por si próprio,  re-elaborar o trajeto de um raciocínio e assim conquistar o significado da sua conclusão.

    A reflexão sobre conteúdos aprendidos permite ir mais além dos níveis superficiais de aprendizagem,  podendo visar o seu nível mais elaborado,  a aprendizagem transformante. 

    Esta reflexão consiste em elaborar respostas para questões precisas, tais como:

  • Posso relacionar esta aprendizagem com algum conhecimento prévio? Quanto mais antigo for esse conhecimento, mais fácil será consolidar a nova aprendizagem.
  • A aprendizagem pode ligar-se ainda, eventualmente, não apenas a um conhecimento prévio, mas a uma aspiração, algo visado como um objetivo a alcançar.
  • Posso relacionar esta aprendizagem com alguma experiência relevante? Esta experiência pode ser, ela própria, de natureza imaginária; pode permanecer limitada ao âmbito escolar; pode superá-los em direção ao campo mais largo de “experiência de vida”.
  • A  aprendizagem pode não estar ligada a uma experiência passada, mas à possibilidade de uma experiência futura, cujos contornos, a aprendizagem em  curso pretende, precisamente, configurar, para lhe criar as condições de possibilidade.
  • Posso aplicar esta aprendizagem em alguma prática que tenha sentido para mim?

    A Aprendizagem, assim refletida, torna-se significativa. Por isso fica também retida, na memória a longo prazo, durante mais tempo e é mais facilmente mobilizável.

Fontes: Sheila Cameron MBA HandBook

OE

A Prática de Recordar – 1

A prática de recordar, aqui com suporte escritoImagem: Oficina de Escrita

     A eficiência da “Prática de Recordar“, enquanto  estratégia de estudo, está  amplamente validada por estudos científicos levados a cabo pelas Ciências da Aprendizagem, de forma sistemática e exaustiva.

    Esta estratégia consiste na simples evocação, concentrada e regular, de assuntos previamente memorizados –  podendo assumir uma expressão oral ou escrita – na ausência de qualquer apoio externo de consulta, fazendo regressar os conteúdos de uma aprendizagem prévia, desde a memória a longo prazo de volta para a memória de trabalho.

    Este ato  de recordar voluntária e regularmente, modela a própria memória a longo prazo; esta é ativa e reage ao esforço  de devolver os conteúdos memorizados, reconfigurando-se sempre que a mobilizamos.

    Para mobilizá-la, exige-se concentração e silêncio. Constitui uma prática mais eficiente do que reler ou refazer apontamentos consultando suportes externos. É uma etapa essencial na construção de cada aprendizagem e não deve ser reduzida às suas virtualidades como meio de avaliação.

     Exige um agendamento rigoroso e uma fidelidade paciente na regularidade da sua ativação:diferentes especialistas em Ciências da Aprendizagem sugerem que a recordação ativa deva exercer-se, no mínimo, em 5 etapas: no próprio dia da primeira aquisição de uma nova aprendizagem; algumas horas depois; no dia seguinte; na semana seguinte; um mês depois; seis meses depois.

    Para ser possível aos alunos aplicar esta estratégia de forma consistente, deveriam ser sujeitos a menos “in put” de informação, a fim de libertarem força e espaço de trabalho para mais “out put”, apoderando-se, como sujeitos ativos, do seu próprio processo de aprender.

    Aos testes, questionários, questões abertas, etc,  poderia ser retirada a característica de avaliação sumativa, para passarem a desempenhar a função de ferramentas de autoavaliação formativa para os próprios alunos, uma vez que podem ser pontos de apoio concretos para exercer a “Prática de Recordar”.

    Neste caso, os itens de resposta longa têm prioridade sobre os itens de resposta curta, uma vez que a recordação se torna muito mais viva e consistente se o conteúdo a recordar tiver de ser reconstituído de raiz e não apenas reconhecido a partir de questões de escolha múltipla ou de verdadeiro e falso.

     A efetiva dificuldade de cada ato voluntário de recordar é proporcional ao sucesso e duração da aprendizagem: quanto mais difícil a evocação, mais consistentes e duradouros serão, não só o seu armazenamento organizado, como também a rapidez e a facilidade com que as futuras mobilizações tornarão a aprendizagem disponível ao exercício da inteligência, sempre que esta necessitar dos respetivos conteúdos.

     A progressiva disponibilização dos conteúdos de aprendizagem na memória de trabalho, sempre que forem precisos, permite à inteligência refletir, abre a via a níveis de trabalho mais profundos, como a Aprendizagem Transformante“.

       Para iniciar os alunos nesta estratégia de estudo recorreremos à experiência que outros colegas partilham online.

      Fontes: The Learning Scientists; The Effortful Educator; Xavier Bénitez Blog

Um Diário de Trabalho

Imagem – Aluno do CAD 7º ano

     Michele Martin é especialista em acompanhar pessoas que transitam entre “dois mundos”, afastando-se da margem de um trabalho bem conhecido, para partir em demanda de um outro, mais conforme ao seu sonho, às suas competências, aos  valores que as orientam.

     Depois, resta ainda adaptar-se e abrir-se aos novos desafios de um trabalho mais livre e, por isso mesmo, mais exigente.

      Em múltiplos artigos do seu “The Bamboo Project”, a autora vem confirmar, com testemunhos de seus clientes e amigos,  os benefícios vitais que resultam da adesão à prática de acompanhar as transições e novas descobertas, com um Diário de Trabalho

     Na nossa última Reunião de Professores, partilhamos as preocupações inerentes ao iminente processo de transformação e mudança.

    Elas podem ser outros tantos tópicos de um “Diário de Trabalho” que dê corpo à reflexão que a “Viagem da Inovação” suscita em todos nós:

      • Cativar  e envolver os Alunos no processo da Mudança.
      • Os diversos modos de contribuir para a Realização Pessoal dos Alunos.
      • A adequação de novas Estratégias à estruturação do ano em semestres.
      • A disposição dos espaços físicos em consonância com novas formas de trabalho comum.
      • A cooperação com os Pais.
      • Formas de proporcionar a melhoria das Aprendizagens.
      • Necessidade de estarmos atualizados em relação às inovações que já deram provas da sua eficiência noutras Escolas.

     Elaborar e manter, com perseverança, um “Diário de Trabalho” pode revelar-se um apoio estimulante, para esclarecer hesitações, afinar decisões e registar surpresas, numa etapa de alterações em profundidade, como aquela em que já principiamos a navegar na nossa Escola.

OE

Estrelas do Mar entre as Rochas

Havia estrelas do mar entre as rochasImagem: Gentileza de HZ5D

     Vi duas estrelas do mar. Algumas espécies têm veneno. Vi as duas estrelas do mar na praia que fica ao fundo da rotunda, quando se vai sempre em frente.

     Quase não havia água: só havia poças entre rochas, muitas rochas, cobertas de limo. Fui saltando de pedra em pedra com a minha Mãe.

     Pequei numa estrela e achei que a minha mão estava muito fria. Depois, meti-a de novo na poça.

     Saltei de pedra em pedra com os chinelos e ia escorregando sem querer. Então, deixei-os perto da areia e fui descalço.

    Havia rochas instáveis, cheias de musgo, que escorregavam, mas outras eram mais planas. Achei que não devia haver tantas pedras, que o Mar devia estar mais para trás do que o normal.

    Fiz umas fotos no Instagram da minha Mãe: uma estrela do mar, um sítio esburacado cheio de poças, com bordas redondas, como a dos recifes de corais.

Conversas na Oficina – HZ5D

Enquanto Nado, Penso no Futuro

   quando nado penso no futuro

   Imagem de David Mark por Pixabay 

     Em EV participei num Projeto de um Animal: Era um gato – como a gata Ticha,  preta. Tem de se pôr a cabeça do animal ligada com o nosso corpo. Eu pus-me numa pose de Judo, embora eu não goste muito de Judo.

     Gosto muito de Natação, porque nos tornamos mais rápidos e porque gosto de mudar de elemento. 

       Estava a fazer uma prova de costas, cheguei em primeiro lugar, mas não sei se toquei numa corda;  alguns começaram a fazer “Buuu” e o Professor disse que ia reiniciar a contagem do tempo.

       Enquanto nado, penso no Futuro.

     Espero que no Futuro haja uns carros e umas motas menos poluentes, ou que andem sozinhos, sem o condutor.

    Espero que não haja guerras. A Paz é um processo difícil: obriga a que as pessoas não morram, a que os animais não se extingam. 

     A minha Bisavó e o meu Bisavô morreram, mas a Páscoa, que é quando Jesus morreu – significa que eles estão lá no Céu. Creio que nos acompanham e inspiram.

     Eu acho maravilhoso as plantas, as nuvens e o Sol…

Conversas na Oficina – DR5C