Coaching na Escola

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     Imagen de Tumisu en Pixabay Pixabay License

     No contexto da renovação que inspira a nossa Escola, concluiu-se, no passado dia 4, uma Formação em “Coaching para Docentes”, oferecida pela plataforma ClickProfessor e orientada pela Formadora Giovana Pires.

   A arte do Coaching só é realizável na verdade da existência, isto é, ela implica, tal como a verdadeira filosofia, a entrada num dinamismo interior em vista de uma mudança real na pessoa do coach, antes de, por sua vez, poder apoiar os outros.

    Durante a Formação, somos despertados para um novo nível de atenção às reações emocionais; para uma preocupação mais descentrada sobre a importância de mantermos relações sustentáveis e respeitadoras mesmo no seio de conflitos laborais ou pessoais.

     A indicação inicial que nos foi dada “Pensar, Sentir, Agir” – a contracorrente da sequência intuitiva “Sentir, Agir, Pensar”-  continua viva e atuante, apesar do ritmo sacudido em que a Escola avança para uma renovação desejada, com alguma ansiedade e multiplicadas solicitações vindas de diferentes momentos de formação.

    Todas as Formações de qualidade trazem ideias e exemplos inovadores, que devem ainda ser interiorizados e só depois, implementados, ajustando-se ao nosso contexto; mas a Formação de Coaching traz, de raiz, um desafio concreto que tem “mordente sobre a vida” e lança o formando num compromisso radical de mudança que é, ao mesmo tempo, íntimo e relacional.

    Enquanto pessoas, somos nós próprios únicos e singulares, mas enxertados num feixe de relações vivas, isto é, somos-com-os-outros.

      Daí, a abertura de um espaço exterior – a arte do Coaching supõe também que a arena da vida quotidiana se torne o laboratório experimental onde aprendemos a reconhecer o trabalho de fatores aliados e o outro, incontornável, de fatores a desenvolver.

    É na proximidade de pessoas com quem já aprofundamos laços de amizade, bem como na de pessoas com quem comungamos nos esforços e vitórias do exercício docente que podemos encontrar o apoio, a partilha e o encorajamento mútuos para tornar operante a nossa iniciação na caminhada transformante que é o Coaching.

     Assim, poderíamos partilhar os livros do autor Juan Bou Pèrez e alguns materiais oferecidos na Formação, criando-se um minigrupo de colegas interessados, na Escola,  a fim de aproveitar e incorporar, com tempo, os ensinamentos da Formação, para tentar replicar os seus desafios, no contexto concreto que estamos a viver.

    Podemos certamente aproximar a abordagem do Coaching à da aprendizagem Sócio Emocional, que está a ser apresentada pela nossa equipa do SPO em ações de formação internas; ambas visam a pessoa integral do aluno e colocam ênfase nas suas dimensões de realização pessoal e relacional. 

     A Oficina de Escrita pode beneficiar da aplicação das inúmeras  Ferramentas de Coach Docente que foram transmitidas e que estão prontas para o trabalho com os Alunos. Estas Ferramentas podem ser ainda partilhadas com as diferentes comunidades de trabalho educativo que constituem a Família Amor de Deus. 

OE

Recordar – Aplicação Prática II:”2 Coisas”

jovem estudando com os livros pelo arImagem de Pexels por Pixabay

     No seu  precioso livro “Powerful Teaching“, Pooka Agarwal e Patrice Bain – a 1ª Doutorada em Ciências da Aprendizagem e ambas Professoras –  partilham algumas Estratégias simples de pôr em prática no quotidiano da aula e que se revelam essenciais para os alunos construirem uma Aprendizagem consistente.

    Para  oferecerem o seu máximo potencial, estas “Práticas de Recordar”, a realizar pelos Alunos, devem:

      • Ser escritas ou verbalizadas, não apenas pensadas.
      • Devem ser suscitadas pelo Professor ou Tutor, de modo regular, intencional e sistemático. 
      • Todas elas aceitam variantes e podem ser adaptadas, de forma flexível, ao tipo de aula, à personalidade da Turma, às preferências de cada Aluno ou de pequenos Grupos.

1 – Duas Coisas – questão a colocar no meio ou perto do final de uma aula. Consiste em pedir, por exemplo:

    • Escrevam duas “coisas” que aprenderam hoje.       
  •   Quais as 2 ideias principais desta Unidade, que retiveram ?
    • Duas “coisas” deste tópico que gostariam de aprofundar.
    • Dois exemplos da vossa experiência pessoal que possam relacionar com esta lição.

     Os alunos escrevem de imediato, sem consulta de manual ou de apontamentos. A aula segue o seu curso imediatamente.

1.1. Variante 1

    Depois de terem escrito o que foi pedido, cada aluno  troca com o seu par: cada um pode acrescentar a contribuição do colega, recebendo, assim, um “feedback” informal.

1.2. Variante 2

    Depois de terem partilhado com  o seu par, os alunos podem, ainda, partilhar em pequeno Grupo ou em Grupo-Turma apenas uma das suas escolhas. 

BENEFÍCIOS

     Os Alunos verificam a adequação das suas respostas e aprendem outras, uns com os outros; participam ativamente na exposição do assunto em estudo; criam apontamentos fora da interação da aula, recordando-a; aplicam o esforço a uma “dificuldade desejável” – o que imprime durabilidade ao que está a ser aprendido.

OE

Fontes:

Powerful Teaching

Retrieval Pratice

 

 

 

Pseudo-Estratégias – 1: “Estilos”

Imagem: Oficina de Escrita

     Neste momento de viragem para a nossa Comunidade Educativa, tentamos recolher pistas orientadoras a partir da experiência preciosa daqueles que vão à nossa frente no caminho da Inovação da Escola.

   Os resultados validados cientificamente no âmbito das Ciências da Aprendizagem alertam-nos para o facto de se deverem evitar algumas formas de ensinar que se revelaram ser ineficazes para uma real aprendizagem dos alunos.

      Uma das abordagens de ensino mais intuitivas e, por isso, mais divulgadas, cujos efeitos na aprendizagem efetiva não tem resultados consistentes:

     Ensinar segundo os “Estilos de Aprendizagem” preferidos por cada aluno.

Recursos 

    1 – Artigos de Divulgação –

1.1. No excelente siteThe Learning Scientists”  – uma página de títulos de artigos que explicam, em detalhe e em linguagem acessível,  por que motivo a ideia dos “Estilos de Aprendizagem” não se traduz em práticas pedagógicas eficazes.

Página de Resumos de Artigos

1.2.  The Effortful Educator: Aprender Mitos versus Aprender Factos

1.3. Ted Talk sobre este assunto

1.4.   The Atlantic O Mito dos “Estilos de Aprendizagem

   2 –  Artigos Académicos –  fundamentação científica que denuncia a inconsistência desta abordagem.

2.1. Frontiers in Psychology– Site de psicologia educacional: (https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2015.01908/full)

2.2. O Mito dos “Estilos de Aprendizagem” no Ensino Superior (https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2015.01908/full)

2.3. Relatório Científico: O efeito na compreensão após a aplicação de “Estilos de Aprendizagem” no Ensino.

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Faíscas Aleatórias

   faísca aleatória

     Image parFree-Photos de Pixabay 

     No seu livro “Build your Business on Ideas” a autora, Jodie Newman, ensina a interromper bruscamente a sequência linear do pensamento lógico, quando este se esforça laboriosamente para enfrentar um desafio ou resolver uma questão difícil.

     Esta interrupção intencional visa infletir subitamente a linha do pensamento sequencial e gerar um fluxo de ideias inesperadas, capazes de encontrar uma solução imprevisível.

    A este elemento disruptivo, o autor chama a”Faísca Aleatória”

      O instrumento que provoca a ruptura pode ser uma palavra ou  frase, um som, uma imagem, um objeto, desde que não tenha nenhuma relação aparente com o assunto em debate.

     Dá-se um salto na forma de pensar sobre um assunto se for possível provocar uma associação imprevisível com  ele. 

    Esta adoção de um novo ângulo de visão quebra o molde antigo que aprisionava a mente; descentra cada um de nós dos nossos pontos de vista pessoais; as “faíscas” tornam-se ferramentas de um pensamento criativo.

    As três etapas deste processo são:

      1. Deflagração da “faísca” ou “ruptura inaugural”;

    2. A descoberta de uma relação inesperada com o assunto em questão;

    3. A configuração inédita que assume aquilo que se pretendia solucionar, aperfeiçoar ou recriar.

Fonte:Build Your Business On Ideas” 

Exemplo de aplicação de “Faíscas Aleatórias” no seu site, com o Gerador de Faíscas: http://thebusinessallotment.co.uk/spark

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Um Diário de Trabalho

Imagem – Aluno do CAD 7º ano

     Michele Martin é especialista em acompanhar pessoas que transitam entre “dois mundos”, afastando-se da margem de um trabalho bem conhecido, para partir em demanda de um outro, mais conforme ao seu sonho, às suas competências, aos  valores que as orientam.

     Depois, resta ainda adaptar-se e abrir-se aos novos desafios de um trabalho mais livre e, por isso mesmo, mais exigente.

      Em múltiplos artigos do seu “The Bamboo Project”, a autora vem confirmar, com testemunhos de seus clientes e amigos,  os benefícios vitais que resultam da adesão à prática de acompanhar as transições e novas descobertas, com um Diário de Trabalho

     Na nossa última Reunião de Professores, partilhamos as preocupações inerentes ao iminente processo de transformação e mudança.

    Elas podem ser outros tantos tópicos de um “Diário de Trabalho” que dê corpo à reflexão que a “Viagem da Inovação” suscita em todos nós:

      • Cativar  e envolver os Alunos no processo da Mudança.
      • Os diversos modos de contribuir para a Realização Pessoal dos Alunos.
      • A adequação de novas Estratégias à estruturação do ano em semestres.
      • A disposição dos espaços físicos em consonância com novas formas de trabalho comum.
      • A cooperação com os Pais.
      • Formas de proporcionar a melhoria das Aprendizagens.
      • Necessidade de estarmos atualizados em relação às inovações que já deram provas da sua eficiência noutras Escolas.

     Elaborar e manter, com perseverança, um “Diário de Trabalho” pode revelar-se um apoio estimulante, para esclarecer hesitações, afinar decisões e registar surpresas, numa etapa de alterações em profundidade, como aquela em que já principiamos a navegar na nossa Escola.

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