As Palavras Cintilam

   Image by WikiImages from Pixabay

    Voltar é reconhecer o caminho e recordar a Aventura da partida.

   Voltar é reconhecer-se grato; e recordar – trazer de volta ao coração – é  retomar o fôlego da Aventura interminável. 

   A úlitma Aventura: a que já não se avista daqui, mas se adivinha no fugidio brilho das palavras.

   As palavras cintilam, como as estrelas.

  Como os olhos das crianças, as palavras – deslumbrantes – perseguem-nos, orientam-nos.

   Estrelas-Guia, as palavras rodopiam no céu noturno do coração e seduzem-nos a dobrar o mais longínquo. 

     As palavras abrem espaço que não havia antes, para respirarmos o desafio que sopra do infinito e se aninha no estreito abrigo vazio que é o amor de escrever.

Com IF9D – Partilha de Inspirações – OE 

Aprendizagem Socio-Emocional – A Escada de Inferências-7

Image par 愚木混株 Cdd20 de Pixabay

    Esta ferramenta de Coaching Educativo pode ser aplicada a inúmeras situações do contexto escolar em que surja um conflito, mas precisa de ser adaptada às diferentes experiências de vida e níveis de conhecimento do mundo, conforme as idades dos nossos Alunos.

      Ela exige, de entrada, que se esclareça a base teórica que a fundamenta: o nosso cérebro é portador de uma herança milenar em que as primeiras estratégias de sobrevivência ficaram impressas e continua a exercer uma influência dominante em relação às conquistas mais recentes da nossa capacidade reflexiva.

     Assim, nos imprevistos da vida quotidiana, é mais natural adiarmos o esforço de suspender o juízo, tomar distância e apreciar em perspetiva, antes de inferir a conclusão que nos permitirá assumir uma atitude adequada.

       Sob o impulso premente da arcaica estratégia reativa, muitas vezes nos precipitamos numa observação parcial do que acontece; selecionamos apenas o que parece servir os nossos fins ocultos, interpretando os factos em função de uma defesa ou de um ataque apenas pressentido; avaliamos as atitudes dos outros a partir dessa leitura oblíqua para, finalmente, reagirmos em consequência dela e, quantas vezes, em prejuízo de um relacionamento justo e cordial.

      A “Escada das Inferências” proporciona uma estratégia  reflexiva que denuncia e desmonta os pressupostos neste encadeamento acrítico de interpretação e reação.

   Como exigência de inteligibilidade que é, além do seu papel purificador, também oferece orientações para elaborarmos deliberadamente hipóteses mais positivas, quando soletramos a vida de modo confiante e buscamos um agir que se ajuste, solidário dos outros, convivial e lúcido. 

Aprendizagem Sócio-Emocional-7

Com Teach Write Edu, Outubro 20- Partilha de Inspirações – OE

Outubro 2020 Dia 5

Encontram-se outras variedades de aplicação desta ferramenta de Couching Educativo no livro de Juan Fernando Bou Pèrez Ferramentas de Coaching Educativo“ – Porto Editora.

Ir Devagar para Chegar Depressa – I

   

Author: Lothar J Seiwert

   “Como Chegar Depressa indo Devagar” de Lothar J Seiwert é uma maravilhosa reflexão sobre o modo como  a nossa vida pode ser articulada em torno de certas áreas essenciais, com o fim de a levar a atingir a harmonia dinâmica em que pode revelar todo o seu potencial de sentido.

    De acordo com a orientação do livro “Como chegar depressa, Indo Devagar”  não se deve considerar inútil escrever explicitamente as intenções que perseguimos a curto e a longo prazo, bem como as tentativas de ação que vamos forjando. Este esforço ritmado, que dilucida a caótica riqueza do quotidiano, vai abrindo o acesso a uma outra forma de escandir o tempo.

   Em relação ao trabalho, muitos dos nossos alunos se dedicam na sua execução, sentem-se responsáveis pelas tarefas atribuídas, desejam evoluir na qualidade do seu desempenho, de onde a importância que reconhecem a esta área da sua vida.

  Mas, na surpresa do Dia que nos invade, levanta e arrasta como uma imensa onda suave, é preciso que se abra uma clareira  de vida, protegida e gratuita, para depois da Escola.

   A todos os Alunos assiste o direito de aceder a uma determinada cultura  – não a uma coleção de saberes avulsos repetíveis ad nauseam –  mas sim àquela cultura que permite à pessoa humana exercer a nobreza e a urgência do seu poder interrogante face a si própria, aos outros, ao mundo e à totalidade do real.

   Encontramos, neste livro cativante, o convite e as sugestões concretas para uma escrita que reflete e sonda as pistas de uma orientação unificadora para a vida de cada um.

   Ao reconhecer-se o fio de ouro que perpassa através da aparência múltipla e desencontrada, é a própria pessoa, no seu íntimo, que  finalmente se distende e repousa.

   É aí que os Alunos descobrem o que trazem de único para dizer e com  as suas próprias, insubstituíveis palavras

Com Lothar J Seiwert  partilha de inspirações – OE

Com Teach Write em Outubro 2020, Dia 4

Francisco, o Amigo Incomum

sint franciscommons-wikimedia.org Creative Commons Attribution-Share Alike 4.0 International

    Entramos na celebração do “Trânsito de Francisco”, precisamente na véspera da sua Festa na Igreja Universal.

   Chega-nos de há mais de 12 séculos o eco musical dos seus poemas, que não só escreveu mas agiu, que não só cantou mas transformou em amor prático, em vida desprovida de si e partilhada até ao infinito.

     De onde nos chega esta frescura de Presença envolvente, que inspira a prontidão para aceitar um sonho inesperado?

   De onde sopra este vento de Alegria que nos empurra para  trocar, quase de repente, o familiar abrigo, por uma caminhada incerta e encantada na nostalgia de um futuro outro?

    Francisco, o Amigo incomum, que, à distância de séculos, pertence a todos os tempos, continua a cativá-los na sua ternura, a comprometê-los  na sua pobreza, a fecundá-los no  inaudito anúncio como “Arauto” que é  “do Grande Rei”.

Com Teach Write em Outubro 20

Partilha de Inspirações – OE – Dia 3

 

“A Terra é Tua…” – “Um Respeito Amoroso e Humilde”

love the earthImage by Mystic Art Design from Pixabay 

     “… Esta comunhão sublime inspira-nos um respeito sagrado, amoroso e humilde…”

     Esta citação do texto “Laudato Si” encontra um eco vivo na sensibilidade das novas gerações; na verdade, elas estão “aparelhadas” para fazer desabrochar os infinitos possíveis capazes de elevar a vida de todos a “um máximo expoente de sentido”.

       A nossa aventura humana encontra um caminho amplo quando se deixa orientar pelo sentido desta  “comunhão sublime” entre tudo o que existe, na qual somos abrigados como em berço real e na qual cada um recebe a missão de levar tudo o que existe o mais longe que conseguir.

     Tudo e todos nos pertencem, desde a origem até ao fim dos tempos; assim como nós nos devemos a esta totalidade misteriosa e viva que conta connosco, nos impulsiona para diante, nos desafia secretamente e entrega a cada um o cuidado de todos.

       Tal é a nossa Terra livre, a nossa Casa aberta.

Com Teach Write – Partilha de Inspirações – OE

Progresso, não Perfeição

Progress not PerfectionImage by DarkmoonArt_de from Pixabay 

      Vive em nós um impulso espontâneo para “o mais perfeito”; ele  sempre espreita os projetos emergentes, ronda as esquinas das tomadas de decisão, chega mesmo a infiltrar-se na atmosfera dos sonhos  mais ingénuos.

   Contraria-mo-lo buscando simplesmente progredir, a cada pequeno passo das nossas determinações. A cintilação irresistível do perfeito deixa de exercer o seu poder hipnótico logo após os primeiros passos hesitantes em que se expressa a nossa opção pela aventura de progredir.  

        Uma expedição noturna, onde o mapa se desenha à medida em que se avança, a descoberta humilde do incerto e do inaudito: assim é o serpentear da escrita, tateando o movimento esquivo e grácil das palavras, aspirando a sua liberdade viva…

Com Teach Write Partilha de Inspirações – OE

Setembro – “Que Terra Quero Ser?”

somos terra

Photo by form PxHere

     Nesta metáfora, nós também somos a “Terra” que precisa de ser preparada para acolher no seu seio as sementes da Vida.

  Inesperadas, múltiplas sementes, feitas de relações e de acontecimentos que escapam à nossa previsão mas, também frutuosas, nutritivas, que podem ser antecipadas por um cuidado fiel e confiante.

  Como somos então “Terra”, e até que ponto escolhemos a que queremos ser?

 Pertencemos de raiz à nossa família mais próxima; depois ao círculo eleito dos amigos mais íntimos; enfim à ampla comunidade da escola, no seu dinamismo de percursos jovens em perpétuo cruzamento; e ainda, por trás de tudo, cercando-nos e sustentando esta nossa rede de relações significativas, o vasto mundo das sociedades humanas, prolixo, tumultuoso, inabarcável, onde as diferentes gerações entretecem o hoje da História.

   Em que sentido somos esta “Terra”? O que significa dizer que escolhemos os seus ingredientes? Como é que pelo nosso consentir a preparamos?

   Se somos esta”Terra”, tudo o que ela gera ou o que nela se desencadeia é-nos próximo, familiar e íntimo.

  Pelos valores herdados de infância e depois criticamente assumidos na adolescência, escolhemos como esta “Terra” se constitui, de que gestação se vai tornando capaz.

  É por acolhimento de graças inspiradas e por esforço de decisões  corajosas que nos expressamos depois em atitudes, em compromissos, em colaborações vivas.

  Assim conformamos a “Terra” que vamos sendo com a disposição de que precisam as “sementes” de Vida que sonhamos, para nela germinar em segurança.

     Setembro, Cascais, 2020: como nos preparamos então?

Partilha de Inspirações –  Agenda CAD 2020 – 21 e OE

Que “Casa” a Terra é?

naturezaImage par kangbch de Pixabay 

    A Terra sustenta-nos como mãe, ninho, lar, lugar de encontro e, ao mesmo tempo, por ela se difunde também o ininterrupto e múltiplo convívio entre os seres que ela permite existir.

   É através deste nosso enraízamento concreto no seu espaço, desta pertença da nossa espessura sensível ao fluxo do seu tempo, que, afinal, podemos comunicar entre nós.

   A Natureza não é, assim, “nossa casa”, num sentido “estático”, mas  antes num sentido dinâmico, de verdadeiro “lar”: é movimento e vida em pérpetuo crescimento, sempre rumo a mais vida; é um dinamismo orientado e protetor, que segue a direção de um misterioso excesso.

   Vivemos intensamente a nossa pertença filial à Terra também em momentos de contemplação tranquila; o magnetismo do por do sol que nos prende o olhar, ao fim de um dia enriquecido de encontros humanos e de trabalho intenso, parece oferecer à humanidade que se abriga na beleza inesperada, uma preciosa consolação.

Com Agenda CAD 2020 – Partilha de Inspirações – OE

A Paz Reconfirmada do Serão

“Migrantes explorados, pobres, refugiados e deslocados: todos têm direito à festa nupcial”

Bispo de Santarém – Fátima, 13 de Agosto 2020

migrantes peregrinação

   Image par LhcCoutinho de Pixabay 

    A Paz reconfirmada do Serão: para os que caminharam longe, os que não sabem como avançar amanhã.

 Mas há para eles uma pausa perfumada, um momento de desenrolar o manto húmido e deixar partir os pensamentos ou trocar pedacinhos de esperança, como a ração da noite, entre os companheiros de viagem.

  Que sabe o mundo organizado na segurança sobre este esforço comum dos que foram obrigados a partir no rodopio do conflito?

    Os seus milhares de passos peregrinos rumando à Paz… Ela expressa-se também neste serão: sobre o manto, no chão húmido, esta pausa entre irmãos.

Com a Peregrinação dos Migrantes e Refugiados – OE

 Agosto de 2020 – Partilha de Inspirações 

Razões de Escrever – 1 – “Encontrar o que Penso”

Bobin: écrireImage par Gerd Altmann de Pixabay 

      Como é que aquilo que nós vamos aprendendo e compreendendo tem as implicações desejadas na nossa vida quotidiana? Por exemplo, ao estudar – mas não só –  pretende-se ligar esses dois planos: compreensão e vida.

        A Escrita pode ser uma mediação: compromete-nos no corpo da nossa história, mostra-a no seu entrelaçamento com todas as histórias, na sua abertura viva para sempre mais.

   Por exemplo, no estudo de um assunto, ao compreender-se  a importância de escrever e ao aprender sobre  formas de escrever, o resultado pode ser o surgir de um hábito de estudar escrevendo. 

     O resultado também pode ser conseguir delinear, ainda que apenas mentalmente, como se pode ajudar outros a escrever.

    Conduzir a própria mente – “uma espécie de escrita invisível”  -enquanto se realiza um trabalho manual ou simples, de pura presença a outro, aumenta o rendimento do trabalho mental e recolhe a energia que se dissiparia na passividade da mente entregue a si mesma.

     Recordar o que se estudou, repensá-lo de novo, sem recurso à fonte, com o projeto de o partilhar, com os outros ou num teste, mais adiante, consolida as evocações da mente, dá-lhes um sentido.

     Escrever, ao estudar, para conquistar o que se compreendeu, mas também para compreender-se.

    Estudar, escrevendo, para seguir e desenvolver o próprio processo do pensamento, tornando-o mais fluído, mais inteligível, mais determinado.

     Que outras mais razões para escrever?

Com os Trabalhos da Oficina – Partilha de Inspirações – OE

“Furinhos de Luz”

   “As estrelas são furinhos de luz no tecido do céu”

Filosofia Pré-Socrática

starsFree-Photos / 9088 images Pixabay

    Os ruídos da noite – os que não são abruptos – os que chegam abafados, lá de fora, a presença da vegetação que se torna mais densa, a escuridão que aconchega as casas, tudo deixa adivinhar uma outra presença cujo silêncio é ainda muito mais forte do que a Vida na Terra.

   Falo das Estrelas, minúsculos sóis assombrando a treva, coando-se por entre farrapos escuros, como sinais de luz no manto andrajoso da noite.

    Adivinhamo-la, a fornalha de Luz, a inextinguível massa de ouro para lá de tudo, chocando o Universo como um pequeno ovo estaladiço, que ela se esforça por não romper antes do tempo.

70 Anos CAD – Com as Festas de Junho 2004 

Partilha de Inspirações – OE

A Dança do Céu e da Terra

   dan

   Image par kordula vahle de Pixabay 

     O mar espraiava-se com suavidade e o contorno das franjas de espuma parecia imitar um céu coalhado de nuvens esfiapadas.

   Constança e Beatriz vinham saborear  aqueles instantes de rara beleza,  em que não distinguiam se era o enigma do céu espelhando o mar ou o reflexo ondulante do imenso azul que as cativava.

   Como podiam as rendas de espuma imitar assim a filigrana das nuvens?

  Um algodão líquido, penugento, parecia deslizar sobre a areia, formando pequenos sulcos de impecável brancura.

   Ao mesmo tempo, lá no alto, um vento manso dedilhava as fileiras de nuvens formando arcos de pura lã a desfiar-se no azul.

 Deliciavam-se assim, na frescura da manhã recém-nascida, adivinhando a  divina fantasia que convida a dançar a Terra com o Céu.

Com BF e CR 7A – Partilha de Inspirações – OE

A Paz Inviolada do Serão

   

a paz do serãoImage by spectrumline from Pixabay 

    Reúnem-se as razões de agradecer: têm encontro marcado aqui, na escrita da noite, a que pertencem como a um abrigo pobre, mas seguro.

     Elas convergem das várias dobras do dia, dos seus recantos obscuros, das suas clareiras de Paz, do tinir de brinde dos seus encontros cordiais.

     Outras vêm rastejando de passagens estreitas, os olhos a piscar ante o imenso Sol do dia que as atraiu para a liberdade, ainda vacilante, do seu expressar-se.

      Mas todas formam um coro unânime: o seu “Obrigada” é um cântico d’alma que  a escrita encomenda, num impulso incontível, ao mais alto dos Céus. 

Com LF9 – Partilha de Inspirações – OE

Projetos  de Férias Divertidas

ponteImage par Free-Photos de Pixabay 

    Aprecio diferentes tipos de férias:

    Se estiver calor, gosto mais de ir à praia, à piscina…

   Às vezes também gosto de combinar encontros com as minhas amigas para irmos à piscina, matar as saudades, dar passeios em sítios seguros e bonitos.

   No inverno gosto de ficar enroladinha na manta a ver filmes na Netflix.

    Gosto de ir ao Alentejo, e ao Algarve porque tem vários Parques Aquáticos.

   Gelados são bons para o verão porque são muito frios e refrescam; também gosto de cachorros quentes, bolo de bolacha…

    Nas Férias, podemos conhecer sítios novos, como por exemplo, Viana do Castelo. Fomos e avisámos o meu avô, mas ele disse:

    – É muito longe. Pode haver algum problema.

     Mas fomos sem ele saber, para ele não se preocupar.

   Também fui a Viseu, achei muito divertido e conhecemos coisas novas da cidade, como monumentos.

   Nas Férias, tiramos fotos e ficam giras, são as nossas memórias.

   Podemos viajar num transporte onde nunca fomos e ser muito divertido, como por exemplo, de comboio, carro, barco, tuc-tuc e até de Avião!

   Um dia, eu já tinha falado tantas vezes ao meu Pai em acampar, que ele levou-me, de surpresa, a um acampamento no Algarve.

    O Pai levou horas e não conseguia construir a tenda. Eu queria dormir mas o vento não me deixava…

   Amigos Leitores, podem-se inspirar neste texto para planearem as vossas férias, assim que acabar a Quarentena.

CAD em Isolamento – Conversas na Oficina

 Criação Oral de Texto –  CM6C

 

Um Crepitar de Luz

     pássaro em ramo florido

Image par dewdrop157 de Pixabay 

     As nossas mãos teceram a interminável tapeçaria do Dia, que vem sendo trabalhada por inúmeras mãos no desenrolar dos tempos.

   Um trabalho fraterno, a perder de vista, uma comunhão ativa de vida que configura a Família mesmo de quem não a tem e torna a Humanidade do presente mais real.

   Um passarinho explorou o labirinto dos ramos num incansável saltitar de curiosidade.

   Ele foi o grande companheiro na manhã dos salmos, o silencioso ouvinte de um crepitar de luz que eles acendiam.

Em isolamento, com o CAD – Partilha de Inspirações  – OE

Vida de Todos

     telhados abstração lírica

   Image par Denis Azarenko de Pixabay 

    “A Minha Vida” é uma expressão traiçoeira, pois a Vida real de cada um abre, em ângulo único, sobre a Vida de todos.

    Só esse prodígio, pelo qual Deus infiltrou secretamente todas as Vidas na Vida de cada um, já é uma expressão da Sua escrita criativa.

    Ela sobrenada o caos das linhas entrecruzadas: no que nos surge emaranhado e obscuro, Deus despista, num relance, o entremeado de todos os percursos que revela a inquebrantável união.

   Ele é não só o Criador das livres criaturas, como ainda permanece nos trajetos que elas desenham no tempo, mais íntimo a elas que elas próprias.

     Em Isolamento, com o CAD – Partilha de Inspirações – OE

Rumo ao Mar

barquinhos no marImage par Raheel Shakeel de Pixabay

     A Vida, humilde e soberana, irrompe e cumpre-se, diz-se e dá-se; é, não em si, mas em nós, a quem nutre e deixa ser.

   Quando nos aproximarmos do Mar, seremos já braços de Delta entrelaçados, cada um dando a vez a todos os outros.

   Aproximar-se é deixar ultrapassar, é refletir a luz que transforma e, por isso, permite aproximar.

    Distância infinita que a comitiva fraterna encurta.

Em Isolamento, Com o CAD,  – Partilha de Inspirações – OE

O Ninho

ninho-susana

Imagem: Oficina de Escrita

      Eis um lugar que procuramos, uma e outra vez, não só como a origem, mas sobretudo como um fim último, que recupera aquela e a transforma num eterno recomeço.

      Eis um lugar que pode ser entretecido por fios de tempo, de penugens de afeto, de palhinhas de conversas, com raminhos partidos das decisões marcantes.

      Eis um lugar ao abrigo da intempérie, camuflado de folhagem, ousadamente equilibrado no cruzamento de  dois ramos sobre o abismo, como um desafio que a confiança ingénua do ser opõe ao nada.

     Eis um lugar frágil e, ao mesmo tempo, inexpugnável, que ninguém pode tomar de assalto, e é apenas acessível por convite, mas que o primeiro vento da tarde pode derrubar, na sua desarmada exposição a qualquer força errante.

Com SL – Partilha de Inspirações – 05/17 – OE

Sondando as Fontes da Energia Humana

ecologia das emoçõesGentileza de Edicare.com

     Continuamos a partilhar a leitura do livro de Ecologia Emocional para Crianças  – “Energias e Relações para Crescer” de Mercé Conangla e Jaume Soler –  dedicado às  várias modalidades de energia que influenciam o destino do Mundo.

    Já vimos que as fontes de energia emocional, que subtendem o nosso agir e pensar  e orientam a qualidade da nossa comunicação, têm analogia com o dinamismo vivo da Natureza.

   Todos reconhecemos as energias básicas: alegria, amor, raiva, medo… mas para além do ato em que transbordam em nós e nos conduzem, podemos acolhê-las quando afluem e sermos nós a conduzi-las?

   Vimos que as energias limpas e superabundantes podem ser utilizadas sem limite: não cessam de promover a vida, de harmonizar o equilíbrio dos ambientes, de suscitar o convívio dos seres.

    Mas a natureza escondida das suas fontes implica um esforço para encontrá-las; depois outro para trazê-las à superfície: desejamos canalizá-las para agirmos de um modo transformador.  

     De que natureza é esse esforço que faz a prospeção das energias? 

   Conseguimos distinguir como crescem e sobem em nós, influenciando ou até dominando a nossa reação, a nossa comunicação com os outros?

    Conseguimos reconhecer a maré crescente de uma emoção pelas reações do nosso próprio corpo?

    Poderá ser útil investigar em nós as alterações que a maré de uma emoção provoca?

    Conseguimos explicar como o que sentimos influencia o nosso agir?

    • Podemos fazê-lo através de um diário? 
    • Podemos tentar uma reflexão através de  diálogos com amigos?
    • Pode ajudar-nos a experiência de um adulto em quem confiamos?

Com Prof Paula Xv – Partilha de Inspirações OE

Escrever a Si Próprio

escrever-a-si-propiroImagem: Oficina de Escrita

    Escrever a si próprio, muito tempo depois, quando as expectativas se cumpriram ou tomaram um perfil inesperado que nos transformou.

      Escrever a si próprio, muitos anos passados, quando a curva do último limite está à vista e temos de fazer adivinhar à jovem de outro tempo o que lhe permanece invisível na subida.

    Escrever a si próprio, dirigindo ao que ficou inconsolado uma energia que compensa o fracasso porque já o pressupõe.

     Escrever a si próprio, tomando nos braços a criança que tropeçou à beira-mar, no ímpeto da sua correria alada.

      Dizer-lhe, no canto do vento que sopra do mar, como se funde na alegria de todos os mundos o tão simples mistério de ela existir.

        Escrever a si próprio, acender os portões de luz que abrem para todos os outros. 

Com IM10 – Partilha de Inspirações – OE