O Dia em que as Cores surgiram nas Flores

flores coloridas de diferentes espécies dispostas em círculo

     Commons Wikimedia Atribuição: CC0 Share Alike 4.0 International

      A Floresta, antes de ser encantada, não era monótona, pois todas as tonalidades de verde e de castanho enfeitavam a espessura dos arbustos e a folhagem dos ramos sussurrantes. Mas faltava-lhe a magia do Arco-Íris, a beleza misteriosa que, com sete cores simples, multiplica os tons da Vida até ao infinito.

     Numa noite com muitas estrelas, nas clareiras junto da Floresta, havia muitas flores, só que as flores eram brancas, não tinham cor. Nessa noite aconteceu um milagre: caiu um pozinho estelar sobre umas flores e, de repente, ficaram todas coloridas.

     Pela noite estrelada, um bando de renas apareceu perto de uma clareira da Floresta, a ver se já tinha brotado algo para comer.

    Quando se aproximaram das flores, um estranho milagre tinha acontecido:

     Algumas flores ficaram com as pétalas enroladas e ganharam uma cor rosa: o nome da flor tornou-se ROSA. Umas ficaram como arco-íris e azul-marinho  em forma de onda e chamou-se MAR. Uma tulipa em forma de sino lilás, tornou-se o SININHO; o malmequer, em forma de abelha amarela, tão gira, tornou-se a ABELHINHA.

     As renas viram, pela primeira vez, as Rosas, que eram cor de rosa, de pétalas enroladas; as Margaridas, que eram brancas e laranja, tinham a forma das saias das bailarinas quando estão a fazer piruetas; as Begónias rosadas, brancas e vermelhas, lindas, com a forma de um coração.

      As renas adoraram o cheiro das flores: as Rosas cheiravam a chupa-chupa; as Margaridas cheiravam a laranja e as Begónias a chocolate.

       As renas ficaram espantadas com todas aquelas cores fantásticas e brilhantes. A partir daí, todos os seres da Floresta Encantada começaram a irradiar alegria.

CG6B, LM6A, OE

    

O Canto dos Toribas

jovem contemplando o céu estrelado

     Photo by Greg Rakozy on Unsplash

     Master tinha cabeça e corpo de lince, asas de águia e patas de chita. Geralmente estava a voar, mas quando vinha para terra, as suas patas transformavam-se em patas de ganso, para aterrar na água, ao pé  de terra.

      Ele morava numa Floresta antiga, onde todos os animais ainda conheciam a linguagem das diversas espécies e as próprias árvores pareciam transmitir mensagens, aproveitando a música do vento ressoando por entre os seus ramos.

     De noite havia silêncio: não uma simples ausência de ruído, pois num habitat vivo há sempre sinais de movimento; era antes um silêncio espesso, que parecia descer diretamente das estrelas e aconchegava todos os seres vivos da Floresta como num manto protetor.

    O sonho de Master era era um dia encontrar um Planeta novo ainda por descobrir onde vivessem Toribas como ele. Mas era muito pequeno para poder ver os planetas que giravam à volta da Floresta.

    Master também tinha propriedades nunca ouvidas: cantava à noite, para chamar alguém que estivesse perto, mas o seu objetivo era encontrar os pais, que lhe tinham dado poderes, tais como, cantar para se ouvir ao longe, localizar humanos para não o descobrirem e tele-transportar-se por todo o Universo.

           Com o seu melhor amigo, ficava horas e horas a cantar, à procura dos Pais que ele tinha perdido em pequenino.

      Como ele tinha perdido os pais quando era muito novo, não sabia bem como utilizar os seus poderes.  Para sobreviver, precisava de comer peixe e javali, mas como não conseguia pescar, teve de pedir aos crocodilos que lhe diziam “-Bom Dia” cada vez que ele aterrava perto de terra.

      Master passeava sempre com o seu melhor amigo crocodilo, por essas noites claras,  fascinado pelos planetas longínquos que brilhavam lá no alto. 

     – Parecem inacessíveis, não achas? – perguntava o amigo deslumbrado. 

     – Nem tanto… – respondia Master num tom sonhador. 

     – Deve haver uma maneira de alcançar esses reinos de luz. Oh, que bela aventura seria visitá-los!                     

       O grande amigo de Master tentava tudo, com ele, para recuperar os seus poderes. Todos os dias treinavam os poderes, mas não conseguiam.

      Houve um dia em que Master sugeriu:

        – E se nós fecharmos os olhos, dermos as mãos e pensarmos como é que tudo isto aconteceu aqui entre nós?

      Eles assim fizeram, pensaram e chegaram à conclusão de que era a Amizade e gritaram ao mesmo tempo: 

      – É a Amizade!

        Assim, Master e o amigo conseguiram realizar os poderes e não só, o amigo também ficou com eles. 

      Então, no dia seguinte, prepararam as malas com comida e champô e partiram para um planeta chamado “Maravilhas” – pois tinham ouvido falar que lá aconteciam maravilhas.  E que havia uma imensa floresta com várias espécies de animais nunca vistos.

     Já com os seus poderes e com o seu amigo, o Master teletransportou-se a si e ao amigo para o espaço, à procura dum Planeta muito verde.

     Eles foram à noite, a cantar, mas desta vez cantavam mais alto e então, mais animais vinham com eles. Passaram duas noites e chegaram ao Planeta. 

      Viram que era todo coberto de árvores verdejantes, altíssimas, onde moravam seres da mesma espécie de Master.  Aproximaram-se, voando, do lago miosótis e prepararam as patas de ganso para aterrar. 

     Mas ele não encontrava os Pais. Na terceira noite, eles estavam a cantar tão alto, com tanta esperança, que, passados 7 minutos, apareceram animais Toribas, da mesma espécie do Master.

      Master viu dois Toribas iguais a ele que repararam nele também. Então, Master ficou tão surpreendido que nem se conseguia mexer:

     – Pais!

    – Master!

    E adotaram o amigo, passando a viver no Planeta “Maravilhas”.

CA7A AF7D e OE  

A Gruta Secreta

rapaz explorando caverna imensa com uma simples tocha

   Photo by Jeremy Bishop on Unsplash

     Luí era um ser imaginário, com poderes fascinantes, que vivia numa Floresta Encantada, rodeado de amigos fiéis.

     Luí era muito alto e magro; o seu cabelo era louro como o sol, os olhos castanhos como as folhas de Outono. E o seu maior sonho era vir a ser um belo aventureiro como a sua Família. 

     A Floresta era espessa mas salpicada de clareiras. As copas das árvores permaneciam verdejantes todo o ano, e deixavam passar uma luz alegre que inundava os trilhos estreitinhos, onde cresciam  violetas bravas.

     Todos os animais colaboravam para o desenvolvimento daquele habitat singular.

     Havia esconderijos que pareciam tocas de raposa e que comunicavam uns com os outros através de túneis cuidadosamente escavados por toupeiras.

       No lago, os castores erguiam diques precisamente onde desaguavam os ribeiros que nasciam no coração da floresta.

        Um dia, um beija-flor foi falar com o Luí e disse-lhe que, na floresta, havia um tesouro. Como é que ele soube o que o pássaro disse? O Luí tinha o poder de falar  com os animais. Então foi logo a correr para a Floresta…

     Luí convocou uma assembleia de emergência na clareira central; acorreram todos: o chefe dos veados, com a sua manada de gazelas; o guia da alcateia com os seus lobos cinzentos; a velha raposa, com as mais jovens e suas crias; as lebres saltitantes; as perdizes esvoaçando; os esquilos aos saltos.

     Luí explicou aos amigos a extraordinária notícia do Colibri e pediu que todos agissem como batedores, palmilhando a floresta em busca da Gruta secreta. 

      A Gruta ficava numa pequena colina entre os carvalhos. Dos seus ramos retorcidos pendiam heras sempre verdes do lado em que o sol batia, mas uma capa de musgo cobria os troncos do lado mais sombrio.

    Mal se percebia a entrada, entre as raízes dos carvalhos, mas elas formavam logo um túnel que se alargava e descia quase a pique para as entranhas da Terra.

      Durante semanas, nenhum ser vivo teve sossego, até que encontraram o tesouro.

    Mas havia um problema: como iam levar aquela enorme riqueza e como iam gastar o dinheiro da venda de tanta preciosidade?

     Então chamaram os javalis e os veados para transportarem o tesouro até às portas da cidade, em carroças rústicas, feitas de troncos da Floresta.

      E já sabiam onde gastar o dinheiro do lucro: num Instituto de Caridade que estava a ser construído – AFE – Associação da Floresta Encantada.

Texto construído em comum além de ser a Duas Mãos.

AV6A e OE

O Muro Vermelho – I

     muro de tiojolos vermelhos rodeados de linha verde

     Public Domain Pictures Net

     Era uma vez um ratinho que vivia num aldeia normal rodeada por um muro vermelho.

      Esse muro era gigante e o ratinho tinha “muuuita” curiosidade em saber o que estava para lá do muro vermelho.

      O ratinho perguntou ao gato Roger que vivia na rua a seguir, se o gato também tinha curiosidade em saber o que estava para lá do muro.

     O gato fez uma cara de assustado e disse que o que estava para lá do muro era muito assustador.

     O ratinho, não muito convencido, foi perguntar a outro morador da Aldeia, e, desta vez, foi ao seu vizinho do lado, o Senhor Coelho; perguntou-lhe o mesmo, mas a resposta foi diferente.

      Desta vez, foi que, para lá do muro, não havia nada.

     O ratinho, ainda sem estar convencido, não parava de pensar no muro vermelho… (Continua)

CC8B 

Um Desejo

  menino que puxa o mapa de áfrica como se fosse um papagaio

     Pixabay Atribuição CC0

      Era uma vez, um menino chamado Ricardo.

   Certo dia ele teve uma ideia. Como era filho do rei de Castelian achava que podia fazer tudo o que queria.

    Então ele teve a ideia de demolir a casa de um pobre. Esse pobre era tão pobre que não tinha dinheiro para sustentar a sua casa.

      Mal o pai descobriu que seu filho tinha demolido a casa do velho habitante, pô-lo de castigo. O menino ficou tão triste que decidiu recompensar o velho senhor.

    O príncipe deu-lhe uma casa com: água, energia, etc, mas por conta do príncipe.

    Moral da história: 

“Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti.”

TB5

A Bailarina do Sol

bailarina na floresta

     Era uma vez uns meninos que acreditavam numa lenda que se chamava “A Bailarina do Sol”.

     Os meninos pensavam que ela dormia na Floresta, por isso, organizaram  os seus sacos-cama e até um mini frigorífico.

      Pensaram sobre todas as possibilidades  de a bailarina acordar, incluindo a de ela se tornar um monstro.

      Mas quando o tempo chegou, não souberam como, mas o Sol parecia ter caído numa Floresta que era conhecida por ter muita atividade estranha.

       Os miúdos, todos confusos, foram ver nas notícias o que tinha acontecido e viram que o Sol tinha mesmo caído!

      Então prepararam-se e foram para a Floresta. Mal entraram lá dentro ouviram: “- Ajuuuuuda!”.

     Foram a correr e encontraram o que parecia o Sol e só viram uma Bailarina gigante, de ferro, em cima do solo estragado e aberto.

     Quando olharam para a Bailarina, ela olhou-os de volta com um sorriso aterrorizante. Só a gozar, eles encontraram-na e ajudaram-na.

JPA6C

O Crocodilo Estudioso

crocodilo sorridente

   Pixabay Atribuição CC0

      Havia um crocodilo chamado Fluffy. Ele tinha escamas verdes e duras, os dentes muito afiados e um olhar que metia medo a toda a gente. Um dos seus maiores sonhos era ir para a Universidade, a fim de aumentar a sua inteligência e experimentar novas e diversas realidades.

    Fluffy vivia numa ilha exótica, rodeada por um mar de esmeralda, onde os dias se alongavam até o sol traçar um sulco dourado no horizonte.

     Os amigos de Fluffy não lhe davam descanso: os macacos peludos pregavam-lhe partidas todo o dia: atavam-lhe latas à cauda ou atiravam-lhe cascas de manga para a boca ,sempre que o apanhavam a dormir ao Sol com a bocarra escancarada.

     Os Tucanos de bico alaranjado deliciavam-se a catar pequenos insetos por entre as suas escamas, quando ele boiava, de manhã, no riacho da ilha.

     Porém, o perigo fatal que a todos ameaçava, era a presença de caçadores furtivos que infestavam a ilha.

     Eles moravam a bordo de um barco pirata que estava atracado ao largo da ilha.

     Fugiam sempre para lá depois de armar emboscadas e os animais não se conseguiam defender.

     Porém, um dos caçadores, o Roberto, acabou por sucumbir ao encanto da Floresta tropical que cobria toda a ilha. 

      O seu coração começou a pulsar ao ritmo da Natureza e encheu-se de amor pelos animais. 

       Entretanto, Fluffy nunca chegou a realizar o seu sonho pois não tinha notas nem dinheiro para isso. 

     Mas o barco pirata acabou por tornar-se numa escola flutuante: os piratas caçadores tornaram-se vegetarianos e passaram a dedicar-se a compreender as mensagens com que os animais comunicavam entre si.

     O crocodilo entrou em depressão. O caçador Roberto foi ajudá-lo, pagando-lhe aulas particulares de Matemática e de Surf.

PC7B e OE

A Menina que Roubava

colar de pedras preciosas

    WikiMedia Commons  – Atribuição:  CC Share Alike 3.0

     Era uma vez uma menina chamada Beatriz, que adorava roubar coisas. Sempre que via algo, roubava-o, não aguentava sem roubar.

       Beatriz tinha os cabelos castanhos compridos e os olhos de um castanho claro macio que pareciam cheirar a maçã. Ela estudava no 8º ano de uma Escola rígida e tradicional.

     Uma vez, na Escola, Beatriz roubou um colar muito precioso e toda a gente andou à procura dele.

      Ninguém o encontrou, até que viram uma pista: a pessoa que roubou tinha de ser da sala da Beatriz, porque o colar tinha estado na mesa da Professora.

     A Diretora de Turma investigou toda a gente; revistou a sala toda e encontrou-o na mochila da Beatriz.

       Todos disseram:

     – Foste tu que roubaste o meu colar!

      Beatriz respondeu que tinha gostado daquele colar, só que, como não tinha dinheiro, então, roubou.

      Todos desculparam e todos perdoaram.

      A partir daí a Beatriz começou um longo tratamento e conseguiu deixar de ser cleptomaníaca.

MC8C

A História de Pi

os saltimbancos de gustave doré

     Wikimedia.Org Atribuição Public Domain 

      Olá, chamo-me Pierrot, mas os meus amigos chamam-me Pi.

      Quando nasci , eu era um menino muito abastado, mas os meus pais sempre rígidos e nunca estavam comigo. Isso ainda piorou quando a minha irmã nasceu: aqueles olhares frios e nunca se importarem comigo.

    Então, com apenas os meus 12 anos de idade, decidi fugir, só com uma mochila cheia de lápis e folhas. Ai, ai, onde tinha eu a cabeça nessa altura?

     A minha sorte foi ter sido acolhido por um Grupo de Artistas de rua: eles passaram a ser a minha única e verdadeira Família.

     Bem, mas todos lá faziam alguma coisa e, mesmo não sendo obrigado, eu peguei nos lápis e comecei a desenhar as pessoas que iam passando.

     Nesse exato momento, eu descobri o meu grande dom do desenho!

      Passaram-se anos e anos desde essa altura. A Mãe Rosita e o tio Lasco diziam que eu era cada vez mais um homenzinho…

     Esperem, ainda não vos falei da minha Família de Artistas de Rua: a minha Mãe Rosita era a mais alta e a mais magrinha; ela tinha cabelos curtos, de cor preta e uns olhos verdes como a relva; vestia um vestido cheio de remendos e tinha uma voz de veludo que se ouvia nos quatro cantos do mundo.

      Já  o meu Tio Lasco era o maior ilusionista de todos os tempos. O meu número favorito era quando ele fazia surgir,de dentro da sua longa cartola, o nosso coelho albino.

      Também havia a Margarita, irmã da Mãe; era uma violinista estupenda. Já os meus irmãos adoptivos, Gas e Louslu, eram os maiores palhaços de todo o Globo: eles faziam desde acrobacias, malabarismos, e palhaçadas.

     Enquanto eles faziam todos os seus incríveis números, eu ia treinando…

MS8B

De Castigo…

visão em ângulo picado uma menina corre numa clareira junto á floresta onde estão adultosFlickr.com   Atribuição:  Domaine Public  

     Aaaaah! – exclamou a Luz, quando acordou. Saiu da cama, vestiu-se e foi tomar o pequeno-almoço.

     A Mãe aproximou-se dela com uma cara “chateada” e começou a gritar com ela, a dizer que, depois de sair da rua, limpasse os sapatos no tapete da entrada!

      Luz não percebia o que a Mãe estava a tentar dizer, mas depois lembrou-se  e viu as pegadas de lama.

     Ficou muito aflita, pois não sabia como explicar aquilo.

     Mal ia dizer qualquer coisa, a Mãe interrompeu, dizendo que ela ia ficar de castigo.

     A Luz, muito triste e contrariada, foi, sentou-se numa cadeira e ficou a olhar para a parede, a pensar como a sua vida era injusta.

     Ficou imenso tempo no castigo e até tentou fugir. Mas foi logo apanhada.

     Percebeu que não podia sair do castigo, mas perguntava-se o que ia fazer.

     Então, ficou a pensar na vida, a olhar pela janela, até que percebeu que estava a refletir.

     Chamou a Mãe e perguntou se podia explicar-lhe o que era refletir.

     A Mãe, já com um sorriso no rosto, respondeu:

    – Conseguiste!

     Luz não percebeu o que a Mãe lhe havia dito, mas tentou entender. 

     – Conseguiste – continuou a Mãe – Passaste no meu teste. A razão por estares de castigo, não foi só por teres sujado o tapete, também foi para refletires sobre os teus erros e pensares o que tinhas de mudar. 

     – Então isso é que é refletir.  – Concluiu a Luz. 

     – Sim, e agora que já sabes o que é, podes sair do castigo.

     – A sério? – exclamou Luz.

     – Sim – sorriu a Mãe – mas só depois de limpares o tapete!

CC8B

Uma Lição “Luxuosa”

4 amigos saltam à beira-mar

     Pixabay Atribuição CC0

      Era uma vez um rapaz rico chamado Sebastião; ele não cumprimentava ninguém: nem um “Bom Dia”, “Olá, “Boa Tarde” – nada.

       Então, quando era Natal, quase que se isolava.

      Ele vivia em  Itália, em Veneza, uma cidade com muitos canais. Na sua mansão, tinha um lago. Sim, um lago! Ele tinha uma data de barcos, onde se deitava todo o dia, com uma palha na boca, um caderno na mão – ele devia estar a pensar:

     – Os meus pais morreram e deram-me cem mil milhões de Liras. É muito dinheiro para mim. Não consigo fazer um texto, estou gordo e horrível, tenho de melhorar… (1) Ei, estão ali pessoas, vou falar com elas:

     – Olá!

     – Olá!

     – Eu não sabia que ele sabia dizer “Olá” – comentou alguém. 

     – Oh, ele, se calhar, não é assim tão mau – respondeu o amigo.

    – Será que eles me acharam melhor?  – Perguntou-se o Sebastião.   

     – A partir do dia de Natal, em que ele nos cumprimentou, ficou muito melhor – reconheceram todos. 

      – “Bora” falar com ele.

     – Olá, estou a convidar para virem ao meu lago. Querem vir?

    – “Bora, vamos lá”.

    A partir daí, ele tornou-se uma pessoa desperta e atenta aos outros. Agora, ele e nós podemos viver felizes!

SG5B

. –

(1) Nos dois sentidos, ser mais boa pessoa e melhorar o seu físico.

A Menina das Estrelas – Um Conto de Natal

PixBay Atribuição CC0

     Na noite de 24 de Dezembro – véspera de Natal – à frente da minha janela, apareceu uma rapariga de pele roxa, cabelos azul turquesa, olhos cor de esmeralda. Ela parecia assustada.

     Depois de esfregar os meus olhos, perguntei: 

        – Estás bem?

      Ela respirou fundo e disse com uma voz estranha: 

     – Não, eu não sei o que se passa. Estava a passear pelos planetas, até que vi o vosso e vim por curiosidade. Por que há tantos brilhos, luzes, árvores enfeitadas e música?

      Eu, a tentar acalmá-la, expliquei: 

      – Porque hoje é Natal. 

      – O que é o Natal?  – perguntou a menina.

       Eu, espantada, exclamei: 

       – Tu não sabes o que é o Natal? O Natal é a Festa de que eu mais gosto no ano. É o dia em que tu juntas a tua Família e Amigos e fazem uma Festa cheia de risos, magia, canções e convívio: celebramos o nascimento de Jesus!

      Além disso, vocês trocam presentes com a vossa Família.

      A menina, depois de ouvir o que eu disse, falou:

     – Ah, Ok. Obrigada! Agora vou voltar para minha casa e contar isto tudo no “Jantar da Liberdade”. É parecido com o vosso Jantar de Natal.

     E lá foi ela, a voltar para casa, voando por entre as estrelas.

     Ela até me deu a morada, mas eu disse que só podia ir visitar em 2072. Espero que, quando chegar esse dia, já existam carros voadores que me levem tão longe.

LM6A